
A Prefeitura de São José dos Campos lançou nesta segunda-feira (24) o programa Falta Zero, iniciativa criada para reduzir o número de pacientes que não comparecem a consultas, exames e procedimentos previamente agendados na rede municipal de saúde. A administração municipal estima que as faltas provocaram um desperdício de R$ 41 milhões em 2025, além de deixarem cerca de 329 mil atendimentos sem realização.
Segundo o levantamento apresentado pela Prefeitura, o valor perdido no ano passado seria suficiente, em estimativa, para custear a construção de aproximadamente 10 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou cinco UPAs.
O maior impacto está relacionado a cirurgias e avaliações cirúrgicas. Foram cerca de 8 mil procedimentos perdidos, representando um prejuízo estimado em R$ 26 milhões.
Nas UBSs, foram registradas aproximadamente 121 mil consultas perdidas, com impacto financeiro estimado em R$ 4 milhões. Já os exames somaram 54 mil faltas, correspondentes a cerca de R$ 5 milhões em recursos desperdiçados.
Cadastro suspenso caso falta sem aviso prévio
O programa estabelece novas regras para lidar com os diferentes tipos de ausência. A regulamentação será formalizada por meio de uma portaria publicada no Diário do Município.
O paciente que avisar previamente que não poderá comparecer não perderá sua posição na fila de espera. Nesse caso, o atendimento será reagendado para o próximo horário disponível, mantendo a prioridade. A vaga liberada poderá ser destinada a outro paciente que ainda aguarda atendimento.
Quando o paciente não responde às tentativas de contato, o agendamento será cancelado e a vaga liberada para outra pessoa. O cadastro ficará com o status de “pendente por ausência de confirmação”.
A situação considerada mais prejudicial pela administração é aquela em que o paciente confirma o atendimento e, mesmo assim, não comparece. Nesses casos, o cadastro ambulatorial será suspenso temporariamente.
Para voltar a utilizar o sistema, o paciente deverá procurar uma UBS e apresentar uma justificativa formal por escrito. A reativação poderá ser feita no próprio local pela recepcionista ou gestora da unidade. A regra será aplicada novamente a cada nova falta confirmada.
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Novas meios de comunicação
Além das mudanças nas regras, a Prefeitura pretende ampliar os mecanismos de confirmação dos agendamentos. O programa prevê a utilização de inteligência artificial na gestão das agendas, além do reforço dos canais de contato com os pacientes.
Entre as medidas estão a ampliação do atendimento por WhatsApp, a utilização da central telefônica e o fortalecimento dos terminais de autoatendimento. Cada UBS também deverá contar com um WhatsApp próprio para facilitar o contato direto entre pacientes e gestores das unidades.
Outra medida será a atualização permanente dos telefones cadastrados. Sempre que o paciente comparecer a uma unidade de saúde, os dados de contato deverão ser conferidos e atualizados. Segundo a Prefeitura, informações desatualizadas estão entre os fatores que dificultam a comunicação com os usuários.
A campanha de comunicação do programa terá como mascote o Capitão Comparecimento e como slogan “Consulta marcada é consulta cumprida”. Cartazes e materiais informativos serão distribuídos nas unidades de saúde para conscientizar os pacientes sobre o impacto das faltas.
Um dos destaques é a presença do “Faltômetro”, que indicará o número de faltas em exames, dentistas, médicos, preventivas e cirurgias.
Quase R$ 13 milhões perdidos em 2026
O problema continua em 2026. Até julho, a Prefeitura calcula que quase R$ 13 milhões em investimentos já tenham sido perdidos em razão de faltas em consultas, exames e procedimentos.
Além do desperdício financeiro, a administração municipal aponta que as ausências contribuem para o aumento das filas, exigem a reorganização de equipes e deixam vagas ociosas na central de agendamento. Na prática, pacientes que aguardam atendimento deixam de ocupar espaços que já estavam reservados para a população.