
Os giros executados na ponta dos pés, os fouettés bem equilibrados e os tradicionais pas de deux, duetos que exigem precisão absoluta e total sintonia entre os bailarinos, escondem um impasse que o público raramente percebe. Antes mesmo da cortina se abrir, cada teatro impõe um novo desafio aos bailarinos: adaptar-se ao palco.
Em São José dos Campos, porém, esse desafio foi menor. Integrando a turnê brasileira do Gala Concert, a bailarina russo-americana Ekaterina Nechayeva afirmou em entrevista exclusiva ao Portal Spriomais, que o piso do Teatro Municipal oferece condições que permitem aos artistas entregar o máximo de sua performance. Além do palco, ela também destacou o clima da cidade, que favorece a preparação física antes dos espetáculos.
“Eles têm um piso muito bom. Isso torna muito prazeroso dançar e muito mais fácil executar movimentos tecnicamente difíceis no palco”, afirmou.

Segundo Ekaterina, justamente por buscar excelência, a adaptação aos diferentes teatros é uma das partes mais difíceis da turnê. Cada cidade apresenta um palco com características próprias, especialmente em relação ao piso, fator determinante para movimentos de alta complexidade técnica realizados nas sapatilhas de ponta.
“O mais difícil é se acostumar com os diferentes palcos, descobrir o que você pode fazer e o que não pode”, explicou.
Para a bailarina, o Teatro Municipal de São José dos Campos se destacou justamente nesse aspecto. O piso de linóleo utilizado no palco oferece maior segurança para giros e movimentos técnicos, permitindo que os artistas executem a coreografia com mais confiança.
O clima da cidade também recebeu elogios. Acostumada a viajar constantemente durante a turnê, Ekaterina afirmou que temperaturas mais amenas tornam a preparação física mais confortável antes das apresentações.
“Quando está muito frio, é mais difícil aquecer os músculos. Aqui o clima é muito bom e isso torna muito mais prazeroso performar. Tanto fora quanto dentro do teatro, a temperatura é muito confortável”, disse.
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Esta foi a primeira passagem da bailarina por São José dos Campos. Embora a agenda intensa tenha impedido passeios pela cidade, ela contou que ficou impressionada com a receptividade do público. Segundo a artista, o carinho demonstrado pelos brasileiros influencia diretamente a energia levada ao palco.

“Os brasileiros sempre aplaudem, torcem e demonstram muita emoção. Isso nos motiva. Quanto mais sentimos essa energia, mais vontade temos de entregar uma performance emocionante.”
Ela também revelou ter encontrado espectadores que decidiram assistir ao espetáculo pela segunda vez, levando familiares para compartilhar a experiência.
“Algumas pessoas me disseram que vieram ontem e voltariam hoje com a família. Isso é muito emocionante para nós e cria uma conexão muito especial com o público.”
O Gala Concert retornou ao Brasil após a temporada de 2025 com uma turnê ampliada. Neste ano, o espetáculo percorre cerca de 30 cidades brasileiras, reunindo trechos de grandes clássicos como O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida, Raymonda, O Corsário e La Sylphide, interpretados por bailarinos de companhias internacionais.