
Enquanto muitos aproveitam os dias de folga para descansar, Juliano Marques Gomes, de 41 anos, troca o conforto de casa por trilhas em áreas de mata do Vale do Paraíba. Funcionário da Gestamp, em Taubaté, e estudante de Gestão Ambiental, ele dedica o tempo livre ao monitoramento de animais silvestres por meio de câmeras trap, equipamentos acionados automaticamente pela movimentação da fauna.
O projeto, desenvolvido praticamente sozinho e financiado com recursos próprios, já rendeu registros de algumas das espécies da região. Entre elas estão onça-parda, jaguatirica, gato-mourisco, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno, além de lobo-guará, irara, cachorro-do-mato, paca, caititu, javaporco e veado-catingueiro.
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Juliano flagrou onça caçando capivara

O registro mais recente chamou atenção ao mostrar uma onça-parda passando por uma área monitorada. Cerca de quatro minutos antes, a mesma câmera havia gravado a passagem de uma capivara, o que leva Juliano a acreditar que o felino estivesse em atividade de caça.
“Provavelmente ela estava atrás da capivara. A diferença entre um registro e outro foi de apenas quatro minutos”, conta.
Confira o vídeo da onça clicando aqui.
Hobbie caro, objetivo nobre
O interesse pela natureza começou ainda na infância, quando morava na zona rural. Mas foi por volta dos 20 anos, ao comprar sua primeira câmera fotográfica, que passou a registrar aves da região. O trabalho ganhou reconhecimento com fotografias publicadas em veículos de comunicação, colaboração para a capa de um livro na Argentina e uma palestra no Encontro Brasileiro de Observadores de Aves, realizado no Instituto Butantan.

Há cerca de cinco anos, Juliano decidiu investir nas câmeras trap para ampliar o monitoramento da fauna.
Todo o projeto é financiado pelo próprio Juliano. Entre as seis câmeras trap, cartões de memória e baterias externas utilizadas no monitoramento, ele estima já ter investido cerca de R$ 3 mil em equipamentos. Parte desse material, porém, foi perdida após furtos e danos provocados pela umidade, motivo pelo qual busca patrocínio para ampliar o trabalho e manter o monitoramento em novas áreas.
Foi justamente esse trabalho que, em abril deste ano, repercutiu nacionalmente após registrar uma onça-parda em uma área rural de Tremembé. Na ocasião, a mesma câmera também flagrou um grupo de caititus poucos minutos depois da passagem do felino.
Segundo Juliano, os registros ajudam a compreender a presença e o comportamento das espécies na região.
“Para mim, o registro mais importante continua sendo o da onça-parda. Só de saber que ela está ali, podemos dizer que a natureza ainda está em equilíbrio.”
As câmeras são instaladas em propriedades particulares com autorização dos donos das áreas. Em Quiririm, distrito de Taubaté, um proprietário rural conheceu o trabalho de Juliano por intermédio de um observador de aves e passou a permitir o monitoramento em sua propriedade.
Apesar de divulgar os registros nas redes sociais pelo perfil @seresdamata, Juliano evita informar os locais exatos das gravações.
“Já roubaram duas câmeras minhas, que são equipamentos caros. Também não divulgo os pontos para não atrair caçadores. Eu falo apenas o município onde o monitoramento foi feito.“
Todo o projeto é custeado por ele. Além das perdas por furtos, alguns equipamentos também foram danificados pela umidade. Por isso, Juliano busca apoio para ampliar o trabalho.
“Um patrocínio faria toda a diferença. Eu conseguiria repor equipamentos, instalar mais câmeras e monitorar novas áreas.”
O objetivo, segundo ele, vai muito além de produzir imagens impressionantes.
“Quero levar esse conhecimento de campo para conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar a fauna e a flora que ainda nos restam. Também pretendo desenvolver cada vez mais ações de educação ambiental em empresas e escolas.”
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