
Essa ladainha de novo?
Em reunião com embaixadores estrangeiros, o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a atacar as urnas eletrônicas, repetindo uma estratégia de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. No encontro, o candidato a presidente da República do clã Bolsonaro associou falsamente as urnas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic, alegando risco de manipulação.
O TSE já havia desmentido essa ligação em nota oficial, esclarecendo que a Smartmatic nunca forneceu urnas ao Brasil. Em razão do ataque bolsonarista, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) protocolou representação no TSE contra Flávio e outros parlamentares, pedindo multa e remoção das publicações.
É bom lembrar que o episódio de 2022 resultou na inelegibilidade de Bolsonaro pai. Será que Flávio deu um tiro no pé de propósito?
Sei lá, mas, para quem é de São José dos Campos e não segue cegamente a cartilha bolsonarista, a crítica às urnas eletrônicas é um tema fora de órbita.
Afinal, as urnas eletrônicas têm seu DNA ligado diretamente à cidade, assim como outros produtos e descobertas tecnológicas geradas aqui, que vão dos aviões da Embraer aos satélites, passando por foguetes e pelo motor a álcool, ideias tão joseenses quanto o tradicional bolinho caipira.
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Tem gente que ainda acredita em teorias absurdas, mas não custa lembrar que o sistema de votação eletrônico, usado no país desde 1996, foi desenvolvido por um grupo de engenheiros e pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do CTA (Centro Técnico Aeroespacial), conhecidos como “ninjas”.
Eram eles: Paulo Nakaya, Mauro Hashioka e Antônio Ésio Salgado, o ‘Toné’, todos do Inpe; Oswaldo Catsumi, do IEAv (Instituto de Estudos Avançados) e Giuseppe Janino, liderados por Paulo Camarão.
Esse sistema, testado e aprovado pelo eleitor, agilizou o processo de votação e apuração no país e eliminou uma ameaça imensa à democracia, que aparecia em todo pleito, nacional ou municipal: o risco de fraude.
Será que os políticos de São José dos Campos, que atuam, em boa parte, na seara da direita, pensam igual a Flávio Bolsonaro e seu pai, Jair, quando o tema é a urna eletrônica? Duvido, só se tiverem um parafuso a menos.
Segue o baile…