
Um veículo movido a hidrogênio percorreu cerca de 140 quilômetros entre São Paulo e São José dos Campos consumindo apenas 1 quilograma de combustível produzido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A demonstração foi apresentada nesta segunda-feira (22), durante a Pulsar Expo IPT 2026, realizada no Parque de Inovação Tecnológica (PIT).
O teste foi realizado com um Toyota Mirai, modelo equipado com tecnologia de célula a combustível. Nesse sistema, o hidrogênio é convertido em eletricidade para movimentar o veículo, enquanto uma bateria de menor porte auxilia apenas no gerenciamento e recuperação de energia.
Antes da viagem, o carro foi abastecido com cerca de cinco quilogramas de hidrogênio produzido pelo próprio IPT. Ao chegar a São José dos Campos, os pesquisadores constataram que apenas um quilograma havia sido consumido durante o trajeto.
Segundo o diretor-presidente do IPT, Anderson Correia, o teste busca demonstrar a viabilidade da tecnologia em condições reais de uso.
“O hidrogênio vem sendo apontado mundialmente como uma das principais alternativas para a descarbonização do transporte. Levar essa tecnologia para condições reais de uso é fundamental para ampliar a confiança do mercado e acelerar sua adoção”, afirmou.
Correia também comparou o momento atual ao desenvolvimento dos motores movidos a álcool no Brasil, tecnologia que ganhou força a partir da década de 1970.
“Hoje, temos a oportunidade de contribuir novamente para uma transição energética, mostrando que o hidrogênio já é uma alternativa tecnicamente viável e segura para a mobilidade de baixa emissão de carbono”, disse.
O projeto de hidrogênio do IPT recebeu cerca de R$ 20 milhões em investimentos do Governo de São Paulo e integra uma estratégia voltada ao desenvolvimento de tecnologias para energia limpa, mobilidade sustentável e redução das emissões de carbono.
De acordo com o pesquisador João Cordeiro, o desafio agora é ampliar a produção e reduzir os custos da tecnologia para permitir sua expansão.
“Estamos mostrando, na prática, que o hidrogênio não é uma tecnologia do futuro, mas uma solução disponível hoje. O desafio agora é ampliar a escala de produção, reduzir custos e criar as condições para que essa alternativa ganhe espaço na matriz energética e na mobilidade brasileira”, afirmou.
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