
Stop! A vida parou ou foi o automóvel?
Vou abrir um parênteses na série de artigos sobre os candidatos a deputado federal em São José dos Campos para falar de uma, aliás, duas iniciativas bem interessantes com foco na Assembleia Legislativa do Estado. Candidatas do PSOL e PDT de São José dos Campos estão envolvidas em projetos de candidatura coletiva em busca de ampliar a representatividade feminina na política e garantir vaga na principal Casa de Leis do Estado.
Pelo PSOL, o nome é Jéssica Marques, já conhecida pelo eleitor.
Afinal, Jéssica foi quarta candidata mais votada à Câmara de São José dos Campos nas eleições de 2024, com 8.679 votos, tendo ficado de fora do Legislativo em razão do coeficiente eleitoral. Uma pena.
Nesta eleição, ela vai representar o Vale do Paraíba na Bancada Feminista do PSOL, que atua em dois mandatos coletivos — um na Câmara Municipal de São Paulo, com Sílvia Ferraro, e outro na Assembleia, com Paula Nunes, que vai buscar a reeleição. Jéssica entra no “trem” de Paula Nunes, no papel de co-parlamentar, em busca de participação em um mandato coletivo. Boa sorte.
No PDT, Luciana Soler vai representar São José dos Campos em projeto semelhante.
Ela é a “âncora” de uma candidatura coletiva que reúne ainda a Professora Martinha, de Santo Antônio do Pinhal, Mãe Melissa, de Guaratinguetá, e mais uma representante do Litoral Norte, que deve ser definida nos próximo dias. É o projeto Mulheres Vale | Serra | Litoral. Luciana é que vai ter o nome registrado no TSE. As demais são co-candidatas, sob contrato privado, com cláusulas de participação, compartilhamento de recursos e decisão, caso eleitas. Boa sorte.
A federal, o projeto deve dobrar com Wilson Cabral (PDT) e com Daniel Munduruku (PDT), ativista indígena que atua como vereador do PDT em Lorena.
Bora lá
O formato de candidaturas coletivas é um instrumento interessante de participação política. Ele e uma alternativa para amplificar vozes e pautas vindas de populações historicamente excluídas ou com baixa representação.
As eleições de 2022 registraram uma alta nas candidaturas coletivas, com 213 chapas coletivas concorrendo, segundo estudo feito pela doutora em cientista política Bárbara Campos e pela mestranda em direito eleitoral Mariane Costa. Mas apenas duas conseguiram se eleger como deputadas estaduais na Assembleia Legislativa de São Paulo: Monica do Movimento Pretas (PSOL) e Paula Nunes, citada acima, da Bancada Feminista (PSOL). O número de eleitas repete 2018. Vamos ver desta vez.
Segue o baile …
PS: Perdão, meu caro Carlos Drummond de Andrade, usei “Cota Zero”, seu poema antifuturista, para abrir esta coluna. Feito o registro, confesso: me veio à cabeça a lembrança do meu amigo Marcos Meirelles, um dos melhores jornalistas com quem já trabalhei. Sempre que um artigo dele precisa de uma “ajuda” para deslanchar, Marcos sacava mineiramente uma citação de Drummond do bolso, acelerava e seguia em frente. Este meu artigo tem padrão Marcos Meirelles.
Veja também: A estrela solitária