
O Brasil apareceu à frente dos Estados Unidos no ranking global de liberdade de imprensa divulgado nesta quinta-feira pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O relatório também aponta uma deterioração histórica das condições para o exercício do jornalismo em todo o mundo.
Segundo a classificação anual da entidade, o Brasil ocupa atualmente a 52ª posição no ranking mundial, enquanto os Estados Unidos caíram para o 64º lugar, ampliando o recuo registrado no ano passado.
De acordo com a RSF, mais da metade dos países avaliados vivem hoje situações consideradas “difíceis” ou “muito graves” para a liberdade de imprensa. O percentual chegou a 52,2% em 2026, número muito superior aos 13,7% registrados em 2002.
Pressões políticas, econômicas e legais
A organização atribui a piora global ao avanço de legislações restritivas ligadas à segurança nacional, além do aumento de pressões políticas, econômicas e judiciais sobre jornalistas e veículos de comunicação.
Segundo a diretora editorial da RSF, Anne Bocandé, as formas de ataque ao jornalismo se transformaram nos últimos anos.
Veja também: INPE vai produzir tecnologia de satélite em missão Brasil-Alemanha para monitorar gases do efeito estufa
Brasil sobe posições desde 2022
Na América Latina, o Brasil aparece entre os países que mais avançaram recentemente no ranking da RSF. Segundo o relatório, o país subiu 58 posições desde 2022, alcançando agora o 52º lugar.
Já os Estados Unidos perderam sete posições apenas neste ano.A RSF cita como fatores para a queda os ataques frequentes do presidente Donald Trump contra a imprensa, classificados pela entidade como “uma prática sistemática”, além da redução de financiamento a veículos internacionais e episódios envolvendo jornalistas que cobriam políticas migratórias.
No site, o Brasil é mencionado por ainda ter violência estrutural contra jornalistas, alta concentração privada e a desinformação é mencionada como um grande desafio para o avanço na liberdade de imprensa no país. Veja a menção completa:
“O novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva traz de volta uma normalização das relações entre as organizações estatais e a imprensa, após o mandato de Jair Bolsonaro marcado por uma hostilidade permanente ao jornalismo. Mas a violência estrutural contra jornalistas, um cenário midiático marcado pela alta concentração privada e o peso da desinformação representam desafios significativos para o avanço da liberdade de imprensa no país. “