
Ao percorrer os cinco dias de Rio Fashion Week (RFW), percebemos um fenômeno curioso. O público de uma Fashion Week (semana de moda) está longe de ser uma massa estática. Ele funciona como um organismo vivo e reagente, que se transmuta em ciclos precisos, como a maré.
Não se trata apenas de assistir a um show, é um mimetismo social onde os visitantes operam em uma frequência visual que se altera a cada nascer de desfiles.
“Etiqueta da homenagem”
Em todo Fashion Week, vestir a marca do desfile do dia é uma forma de respeito, pertencimento e validação do designer. É o dress code invisível de pertencimento.
O estilo de quem circula pelo evento começa a dar pistas do que será visto na passarela horas antes do show começar, ajudando quem não tem ingressos para os desfiles a sentir o gostinho do que está sendo passado lá dentro nas salas dos shows.


A concentração de uma estética específica atinge seu ápice no momento que está para começar algum desfile. Você começa a ser envolvido por essa maré que começa a chegar em bando!
Na sexta-feira (17), desde o comecinho do dia, looks de coleções passadas da estilista Karoline Vitto tomaram o Rio Fashion Week. Amigas, clientes e convidados vieream com suas peças produzidas pela estilista, como forma de homenagem e pertencimento à marca.

De repente, uma onda que evolui lentamente toma conta de todo o ambiente com o streetwear da Adidas. As listras icônicas inundam o Píer Mauá. A maré Karoline Vitto foi embora, e agora tudo que vemos são corsets Adidas, customizações com peças da marca, cabelos artísticos que refletem sua identidade nas últimas coleções e, claro, sapatos e bolsas.

O visitante pertence à cenografia
O estilo das pessoas nos espaços e nas filas complementa a experiência do desfile.

O show começa do lado de fora, até antes mesmo de passar pela credencial do evento, porque sentimos essa necessidade de vibrar na mesma frequência do desfile. A semana de moda não tem um estilo único, ela tem marés refletindo pertencimento ao grupo de identidade que aquelas pessoas querem dizer que pertencem.


No final do dia, o que levamos vai além dos desfiles e dos clicks, é a experiência sensorial de entender que a moda opera como uma maré. Ela flui mudando conforme o Sol se põe e o próximo line-up se aproxima, nos trazendo reflexões sobre quem somos e a quem decidimos nos aliar.
Mais do que um evento de tendências, as Fashion Weeks se consolidam como os verdadeiros congressos dos artistas da moda. É o nosso espaço de troca técnica, de validação criativa e, acima de tudo, de pertencimento.
É onde as ondas de estilo se encontram para provar que, embora a roupa seja efêmera, a comunidade que ela constrói é o que sustenta a estrutura do nosso mercado.
