
Em um ano marcado por eleições, o Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, usou a missa da Quarta-feira de Cinzas (18) para fazer um forte apelo por paz, perdão e união.
A celebração, realizada no Santuário Nacional, deu início à Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, e reuniu milhares de fiéis.
Dom Orlando fez questão de relacionar o período religioso com o atual momento político do país.
“É um tempo favorável de reconciliação. Casais, reconciliai-vos. Inimigos, reconciliai-vos. Nós que vivemos tanta polarização, vamos nos abraçar. Neste ano eleitoral é tempo de reconciliação e não tempo de polarização, reconciliai-vos”, declarou o arcebispo.
A maior penitência
Em tom direto e acolhedor, Dom Orlando explicou que a verdadeira penitência vai além do jejum tradicional. “E claro, certamente, uma boa penitência da quaresma, não é só não comer carne ou fazer jejum. Isso é muito bom, mas a maior penitência é abraçar quem não me ama. Isso é penitência, isso é pé no chão”, afirmou.
O religioso também falou sobre a importância da humildade para o recomeço.
“A virtude da quaresma é a humildade. Tendo a humildade, eu reconheço meu pecado e volto para casa, como filho pródigo, para receber a alegria do abraço do Pai. Não viva se flagelando por causa do pecado. Tenha humildade e diga: ‘Pai, sou fraco, pequei, mas dá-me a graça de recomeçar’”, pregou.
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Campanha
Dom Orlando também destacou a temática da Campanha da Fraternidade deste ano, que aborda a moradia digna. E aproveitou para reforçar a necessidade de os cristãos cuidarem da própria forma de se comunicar, seguindo os valores do Evangelho.
“O Papa Leão nos deu uma boa sugestão para esta Quaresma: a abstinência de palavras ofensivas, a abstinência de palavras agressivas. Desarmar nossa linguagem, desarmar a nossa língua, fazer o jejum da língua. Isso é muito agradável a Deus”, ensinou.
O arcebispo completou com um pedido simples e profundo: “Cultivar a gentileza no lugar da briga. É tempo de abraçar, é tempo de a gente se encontrar”.
Despedida iminente
Há dez anos à frente da Arquidiocese de Aparecida, Dom Orlando Brandes, que nasceu em abril de 1946, se aproxima do fim de sua missão no comando da maior arquidiocese do país.
Nos próximos meses, o papa Leão XIV irá nomear um novo líder para o cargo, já que Dom Orlando completará 80 anos e apresentará sua renúncia, conforme determina o direito canônico.