
Uma baleia-jubarte juvenil está sendo monitorada desde o último sábado (14) na região sul de Ubatuba, entre a Praia do Bonete e a Baía da Ilha do Mar Virado. O animal apresenta sinais evidentes de debilidade, o que mobilizou equipes do Instituto Argonauta, com apoio da Polícia Militar Ambiental (grupamentos marítimo e terrestre).
Segundo o instituto, responsável pelo acompanhamento técnico do caso, trata-se de um indivíduo jovem de baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) que está nadando lentamente em área costeira rasa, com baixa reatividade e reduzida capacidade de evasão — comportamento considerado atípico para a espécie em condições normais.
Sinais clínicos preocupantes
A análise feita pela equipe técnica do Argonauta aponta que o animal apresenta:
- Escore corporal magro;
- Infestação por piolhos-de-baleia (ciamídeos), especialmente no rostro e na região dorsal;
- Possível deformidade mandibular;
- Relato de exalação de odor fétido, sugestivo de comprometimento do estado de saúde.
O conjunto desses indícios reforça a suspeita de que a baleia esteja bastante debilitada e exige monitoramento contínuo e avaliação criteriosa da evolução do quadro.
Assédio e infrações preocupam
Logo no primeiro dia de ocorrência, foram registradas diversas infrações às normas de avistamento de cetáceos. Embarcações se aproximaram além do permitido, pessoas entraram deliberadamente na água junto ao animal e houve tentativas de cercamento.
De acordo com o Instituto Argonauta, essas condutas são proibidas pela legislação ambiental e aumentam o estresse de um animal já fragilizado, podendo agravar seu estado clínico. Além disso, representam risco à segurança das próprias pessoas, já que se trata de um animal de grande porte que pode ultrapassar 10 toneladas.
Equipes do instituto e da Polícia Ambiental permaneceram por horas na área orientando turistas e condutores de embarcações, buscando reduzir a aglomeração e o impacto sobre a baleia.
Por que não é possível “resgatar” a baleia?
O Argonauta esclarece que intervenções em grandes cetáceos vivos no mar são extremamente complexas.
Diferentemente de tartarugas ou aves marinhas, não existe estrutura capaz de remover ou estabilizar uma baleia viva em ambiente aberto, sob influência de maré, vento e profundidade variável. Qualquer ação desse porte depende de critérios técnicos rigorosos, viabilidade operacional e, sobretudo, de uma real possibilidade de benefício ao animal.
Em muitos casos, explica o instituto, a conduta mais adequada é o monitoramento constante e a redução de estressores externos — ou seja, evitar ao máximo o assédio humano.
Orientações aos navegantes e à população
Com base na avaliação técnica, o Instituto Argonauta reforça as seguintes orientações:
- Não se aproximar da baleia;
- Não entrar na água;
- Não cercar ou perseguir o animal;
- Manter distância mínima de 300 metros;
- Acionar as autoridades ambientais em caso de avistamento.
O instituto também destaca que conservação envolve compreender os limites da intervenção humana. Neste momento, minimizar o estresse imposto à baleia é considerado a medida mais efetiva para não agravar o quadro.