
A estratégia de infiltrar policiais fantasiados nos blocos de Carnaval foi divulgada e explicada pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, que detalhou como funciona a escolha dos personagens, os critérios operacionais adotados e os resultados obtidos nas operações deste ano na capital paulista.
A ação, coordenada pela delegada Sandra Buzati, foi estruturada com base em inteligência policial. O objetivo é claro: combater furtos e roubos em grandes aglomerações, especialmente durante o Carnaval, quando o fluxo intenso de foliões facilita a atuação de quadrilhas especializadas em crimes patrimoniais.
Fantasias não são escolhidas de improviso
Apesar do tom lúdico, a escolha das fantasias segue critérios técnicos. Segundo a polícia, os personagens precisam se integrar naturalmente ao perfil dos blocos, evitando chamar atenção. Além disso, são considerados fatores operacionais como conforto, mobilidade e segurança — itens fundamentais para abordagens rápidas em meio à multidão.
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Entre os disfarces já usados pelas equipes estão personagens clássicos, como Chaves, Chiquinha e Seu Madruga; integrantes da turma do Scooby-Doo — Salsicha, Scooby, Velma, Daphne e Fred —, além dos Minions e do vilão Gru, do filme Meu Malvado Favorito. Também aparecem referências produções de grande repercussão recente, como a série sul-coreana Round 6.
As equipes costumam ter entre seis e oito agentes e são posicionadas em pontos estratégicos definidos após análise de dados: histórico de ocorrências, registros anteriores de furtos e volume estimado de público.
Policiais monitoram atitudes suspeitas nos bloquinhos
Entre os comportamentos monitorados estão pessoas que circulam sem participar da festa, observando bolsos e bolsas alheias, ou que se aproximam repetidamente de vítimas distraídas. Identificada a suspeita, a abordagem é feita ali mesmo, no meio do bloco.
Além dos flagrantes, os agentes realizam consultas em sistemas policiais durante as abordagens. Em alguns casos, utilizam reconhecimento facial por dispositivos móveis. Se houver mandado de prisão em aberto, a captura é imediata.
Resultados da operação
No dia 31 de janeiro, uma operação na Barra Funda terminou com 12 presos suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em crimes durante blocos. Já no Parque Ibirapuera, policiais fantasiados de extraterrestres prenderam quatro homens, três por venda de bebidas clandestinas e um por portar celulares furtados escondidos sob a roupa.
Na Consolação, agentes caracterizados como “Caça-Fantasmas” detiveram um casal com aparelhos furtados. No sábado (14), personagens do desenho Scooby-Doo participaram da prisão de três suspeitos, com recuperação de oito celulares.
No domingo (15), a equipe entrou em cena vestida como personagens da série mexicana Chaves, na região da República. Cinco pessoas foram presas — dois homens por tráfico de drogas, outro por portar diferentes entorpecentes e dinheiro, e duas mulheres por receptação de celular furtado.
De acordo com o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a estratégia tem aumentado as prisões em flagrante, reduzido furtos e ampliado a sensação de segurança entre os foliões.