
Os números são lamentáveis… Balanço oficial divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostra que 6 das 10 cidades mais violentas de São Paulo em 2025 pertencem à Região Metropolitana do Vale do Paraíba, levando em consideração a taxa de vítimas de homicídio por 100 mil habitantes.
Pior: as três cidades mais violentas do estado são da região — Lorena, Ubatuba e Cruzeiro, pela ordem. Completam a lista crítica da RMVale as cidades de Pindamonhangaba, Tremembé e Caraguatatuba, respectivamente 7ª, 8ª e 9ª colocadas no mapa da violência de SP.
A liderança da região se mantém mesmo diante da redução do número de homicídios no Vale do Paraíba, que terminou os últimos 12 meses com 279 mortes contra 296 óbitos no período anterior (queda de 5,74%).
Lorena, a primeira colocada no ranking paulista, registra 34,18 vítimas de homicídio por 100 mil habitantes nos últimos 12 meses (29 mortes). E São Sebastião está em 12° lugar no ranking de homicídios.
Mais triste que essa liderança macabra em 2025 é constatar que esses índices, com pequenas alterações, se mantêm praticamente inalterados há anos. Isso porque a RMVale ocupa o topo do mapa da violência do estado praticamente desde que a SSP começou a divulgar, com periodicidade e disciplina, os rankings da criminalidade em São Paulo, nos anos 90 do século passado.
Com raros vaivéns, a gente está quase sempre no topo desse ranking. Dessa forma, a conclusão, tão triste quanto óbvia, é que a RMVale acabou cristalizada no topo do mapa da violência, sem que isso cause, seja nas autoridades responsáveis e na população, o espanto que o fato merece.
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Os motivos que favorecem a violência são conhecidos: a disputa por território entre facções criminosas; a localização da região no eixo Rio-São Paulo-Minas, o que favorece a geografia do tráfico de drogas; a existência de grandes eixos, como a Via Dutra e Rio-Santos, por onde escoam boa parte das drogas da Região Sudeste, entre outros.
As forças de segurança atuam sobre isso há tempos. Mas, apesar dos esforços, alguma coisa, infelizmente, não está dando certo… A mais recente resposta do Estado a isso é a Muralha Paulista, um plano antigo, que, agora, está começando a sair do papel. Será suficiente?
Na contramão desse mapa triste, a região tem algumas ilhas de excelência, como, por exemplo, São José dos Campos, que, a partir de uma iniciativa da Prefeitura, conseguiu conter e reduzir os índices de violência, unindo investimento, tecnologia e estratégia; e cidades como Bananal, no Vale Histórico, que não registram homicídios há anos, como bem apontou levantamento feito aqui pelo portal spriomais.
O que temos que aprender com elas? Onde a presença do Estado é mais necessária e faz mais diferença? Temos, na região, o efetivo ideal e o aparelhamento ideal para combater o crime?Essa reflexão é importante…
O mapa da violência precisa mudar na região e isso é uma responsabilidade de todos. Mas, no caso do Estado, é preciso menos discurso e mais ação.
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