
Protagonista de um projeto-piloto do governo federal para concessão de construções históricas no país, a Fazenda Pau D’Alho, em São José do Barreiro, pode passar às mãos da iniciativa privada em breve.
Conduzida pelo Ministério do Turismo dentro do programa Revive Brasil desde 2020, ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a proposta prevê a concessão do terreno por até 45 anos.
Junto a contrapartidas como reformas no prédio e conservação do patrimônio histórico, há o grande objetivo de construir um hotel de luxo na área da fazenda de café, construída há mais de 200 anos, reconhecida pela visita de Dom Pedro I durante o trajeto até São Paulo, em 1822, dias antes da Proclamação da Independência.
O projeto passa por consulta pública até o dia 6 de fevereiro. Após isso, a previsão é de que as devolutivas sejam publicadas até o fim do mesmo mês, para que então sejam feitos os ajustes finais antes da publicação do edital.
Abaixo-assinado critica concessão
A concessão da fazenda tem provocado debate em São José do Barreiro e entre os defensores da conservação do patrimônio sem exploração comercial. Uma petição pública contra a concessão, que circula entre moradores, ativistas e entidades culturais, conta atualmente com quase 500 assinaturas.
O projeto considera a cobrança de ingresso para visitação e trabalha com uma diária média em torno de R$ 1.600 no hotel, o que indica um perfil de turismo de maior poder aquisitivo.
“É gritante o projeto, não só arquitetônico (nada a ver com a região), assim como é um acinte que sejam propostas diárias maiores que um salário mínimo. Sou absolutamente contra e vou divulgar este abaixo-assinado o mais que possível“, escreveu Rachel R na página da petição.
“Se vocês souberem como fazer a divulgação correta dela [fazenda], pode trazer diversos clientes para cá, principalmente na área da educação”, opinou Maria
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Localizada a cerca de 4 km do centro urbano de São José do Barreiro, a Fazenda Pau D’Alho é um dos conjuntos mais preservados do início do ciclo do café em São Paulo.
O complexo reúne casa-grande, senzala, tulha, cavalariça, terreiro, oficinas e uma antiga roda d’água, distribuídos em uma área de aproximadamente 193 mil m², com cerca de 3 mil m² de edificações históricas tombadas.

Hotel de luxo
Segundo o Plano de Negócios Referencial elaborado pelo Ministério do Turismo com apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a Fazenda Pau D’Alho continuará pertencendo à União, mas sua gestão será transferida à iniciativa privada por um período estimado de até 45 anos.
Durante esse prazo, o concessionário deverá restaurar e conservar o patrimônio histórico, garantir o acesso público às áreas culturais da fazenda e explorar atividades turísticas e comerciais previstas no projeto, seguindo regras definidas em contrato.
O ponto central da concessão é a construção de um hotel dentro do terreno da fazenda. Segundo o plano oficial, a hospedagem será implantada fora do núcleo histórico, em áreas livres do terreno, sem ocupar ou modificar as edificações tombadas.
O projeto prevê um hotel com 60 quartos, distribuídos em três blocos de três pavimentos cada, com arquitetura contemporânea integrada à paisagem. O complexo do hotel deverá contar com:
- Restaurante;
- Bar;
- Áreas de convivência;
- Espaços para eventos;
- Infraestrutura de apoio, como estacionamento e áreas técnicas.

A expectativa é de que o complexo receba cerca de 35 mil hóspedes e até 44 mil visitantes por ano. Esse público deve vir principalmente do Vale do Paraíba, Vale Histórico e do estado do Rio de Janeiro.
A operação do hotel, conforme análise do governo federal, é considerada essencial para a viabilidade econômica da concessão, já que a hospedagem concentraria a maioria da receita do projeto e ajudaria a financiar a manutenção da fazenda ao longo do tempo.
O investimento total estimado é de R$ 63,2 milhões, sendo aproximadamente R$ 10,7 milhões destinados ao restauro das construções históricas e R$ 52,4 milhões à construção do hotel e à infraestrutura necessária para sua operação.
As obras de recuperação do patrimônio histórico devem ocorrer principalmente nos primeiros anos da concessão, em um período estimado de 19 a 31 meses.
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