
A Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou que o bloco H22, um conjunto de 27 casas projetado por Oscar Niemeyer dentro do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos, será demolido.
Segundo a Força Aérea, o H22 — construído na década de 1950 — apresenta “diversas patologias estruturais” decorrentes de fragilização do terreno e perda de capacidade de suporte do solo. Um relatório técnico de 2019 concluiu que recuperar o conjunto não teria viabilidade técnico-econômica, e o Comando da Aeronáutica aprovou a demolição em 2023.
O que é o H22
O bloco possui 27 unidades residenciais de 184 m² cada, distribuídas em dois pavimentos: no térreo ficavam as áreas sociais, e no andar superior, os dormitórios. As casas, originalmente destinadas a oficiais e professores do ITA, fazem parte das primeiras construções concebidas por Niemeyer para o antigo CTA.
Documento interno obtido pelo Estadão detalha os problemas técnicos que embasaram a decisão. O material aponta que o restauro custaria 68% a mais do que uma nova construção. O relatório cita infestação de cupins e formigueiros, raízes infiltradas sob as estruturas, saturação de água no solo, deterioração de portas e esquadrias, além de trincas e rachaduras que, segundo o texto, comprometeriam a segurança e poderiam resultar em falhas graves.
Embora o documento afirme que houve manutenções ao longo dos anos, também admite que as patologias estruturais se agravaram com o tempo. Em 2018, porém, o Ministério da Defesa chegou a lançar uma licitação para recuperar o próprio H22, mas a proposta não avançou.
Repercussão negativa da demolição
A confirmação da demolição gerou forte reação de arquitetos, ex-moradores e entidades ligadas ao patrimônio modernista. O escritório Oscar Niemeyer Arquitetura e Urbanismo afirmou sentir “profunda indignação” e pediu mobilização para impedir novas perdas.
Páginas especializadas e núcleos regionais do Docomomo, entidade sem fins lucrativos dedicada à documentação e conservação de edifícios, sítios e bairros modernistas, passaram a defender o tombamento do restante do conjunto arquitetônico.
O que dizem o DCTA e a FAB
O portal spriomais entrou em contato com o DCTA e com a FAB para esclarecer os detalhes, motivos e a repercussão da demolição. O DCTA informou que não iria se pronunciar, afirmando que “assuntos de nível nacional” são respondidos exclusivamente pela matriz de comunicação da Força Aérea.
Já a comunicação da FAB enviou uma nota confirmando a aprovação da demolição considerando o estudo técnico, mas sem responder diretamente às perguntas sobre o valor arquitetônico do conjunto, as críticas públicas ou alternativas à destruição do bloco.
“A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), informa que o Bloco H22, construído na década de 1950, apresentou, ao longo dos anos, diversas patologias estruturais decorrentes da fragilização do terreno e da perda de capacidade de suporte do solo. Em razão desses riscos, a edificação foi desocupada preventivamente para preservar vidas e evitar possíveis acidentes.
Em 2019, um Relatório Técnico concluiu que a recuperação ou reforma do prédio não apresentava viabilidade técnico-econômica quando comparada à construção de uma nova edificação. Diante desse cenário, em 2023, o Comando da Aeronáutica (COMAER), por meio da autoridade competente, aprovou a demolição do Bloco H22”
O Iphan, em resposta ao Estadão, informou que não há pedido recente de tombamento e que um processo anterior foi arquivado por falta de elementos que comprovassem relevância nacional.