
O Sistema Cantareira, principal conjunto de reservatórios que abastece cerca de 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo, atingiu o menor nível desde a crise hídrica de 2015, com apenas 20,8% de sua capacidade.
Os dados da Sabesp preocupam, com o volume atual menos da metade do registrado no mesmo período de 2024 (45,1%). A comparação histórica mostra a diferença:
- 1º de dezembro de 2025: 20,8% de volume
- 1º de dezembro de 2024: 45,1% de volume
- 1º de dezembro de 2015: volume negativo de -9,70% (pico da crise hídrica)
Leia mais: Turismo de experiência em São Paulo: conheça as maravilhas do Vale do Paraíba
Chuva abaixo da média
Um dos principais fatores para a situação crítica é o déficit de chuvas. Em novembro, choveu 108 milímetros na região do Cantareira, enquanto a média histórica para o mês é de 151 milímetros, cerca de 30% a menos de precipitação.
Especialistas projetam que dezembro seguirá com padrão de pouca chuva, o que deve continuar impactando negativamente o nível dos reservatórios.
Medidas de restrição
Na última sexta (28), a Agência Nacional de Águas (ANA) informou que o Sistema Cantareira continuará operando na “faixa de restrição” durante dezembro. Nessa condição, a Sabesp pode retirar até:
- 23 metros cúbicos por segundo do Cantareira
- Mais 7,6 metros cúbicos por segundo da represa Jaguari (Igaratá), interligada ao sistema
Necessidade de intervenções
Além da conscientização sobre redução de consumo, pesquisadores reforçam a necessidade de intervenções diretas do poder público para recuperar o sistema, incluindo:
- Ações de reflorestamento na área do Cantareira
- Políticas de preservação das nascentes e mananciais
- Investimentos em infraestrutura para aumentar a resiliência hídrica
O Cantareira é composto por seis represas interligadas (Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Paiva Castro e Águas Claras).