
Eu a conheci pessoalmente por volta de 2011, quando fui trabalhar na Assessoria de Imprensa da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. Antes disso, eu já a conhecia pelo nome, por intermédio do meu cunhado Cristóvão Cursino, que era seu amigo há mais tempo. Aos poucos fui me afeiçoando e gostando da sua prosa e não demorou muito já estava atuando diretamente no Museu do Folclore, ao lado dela.
Angela Savastano (1932-2025), a Dona Angela que muitos tiveram o privilégio de conhecer um dia, era uma pessoa simples, de muito conhecimento e sabedoria. Por isto mesmo conversava sobre tudo um pouco, sempre destacando a importância do ser humano no sucesso da relação pessoal. Daí, com certeza, o sucesso das suas empreitadas ao longo dos 93 anos de vida!
Eu sabia quase nada sobre folclore e ainda não sei muito, mas conversando com ela nem precisava ler livro nenhum da biblioteca do Museu do Folclore. Ela era a própria biblioteca. Aliás, muitas das obras que estão por lá foram doadas por ela e pelas amigas que a acompanharam ao longo da jornada na extinta Comissão de Folclore da FCCR.
Uma outra amiga, Maria Amália Corrêa Giffoni, estudiosa do folclore, ganhou dela o reconhecimento pela sua contribuição ao museu e hoje dá nome à biblioteca. Ela era assim, valorizava cada um pela sua maneira de ser, pelo seu conhecimento, pela sua própria cultura, aquela que vem de dentro, dos nossos antepassados, de pai para filho.
Durante os 12 anos que trabalhei diretamente no Museu do Folclore, divulgando suas atividades, foram poucos os dias que deixamos de conversar. Ela sentava numa cadeira ao lado da mesa que eu ocupava e ficávamos trocando ideias, informações, ensinamentos, ponderações, argumentos, de tudo um pouco.
Foram anos de muito aprendizado. Por vezes, parecia que repetíamos os assuntos conversados, mas nunca eram iguais, pois ela sempre tinha algo diferente a acrescentar. Isto sem contar as novas histórias. Mas, não me peçam para contar alguma, pois não me lembro de nenhuma especificamente. É que nestas conversas, o gostoso era ouvir ela falar.
Confira: Paraibuna celebra cultura caipira e sabores locais com três festivais simultâneos em agosto
Dona Angela era assim, de conversa fácil, de papo gostoso. Eu não a conheci no começo da sua caminhada como folclorista, mas tenho certeza que o seu jeito de ser foi fundamental para tudo que conseguiu conquistar. De um sonho acalentado ainda nos anos 80, o Museu do Folclore é hoje uma realidade incontestável. E assim foi com muitos outros sonhos acalentados e que pude acompanhar.
Minha relação com Dona Angela era profissional, mas ela tratava a todos como se fossem seus filhos e os chamava assim. No dia 28 de julho deste ano foi a última vez que conversamos antes da sua partida. Foi meu aniversário e ela me mandou essa mensagem pelo WhatsApp:
“Avelino, amigo. Que Deus o abençoe e projeta sempre. Você é mais que amigo, é irmão do coração e sabe disso. Quero muito bem a você. Devo muito a você. Você me ensinou a ser o que sou hoje e lhe sou muito agradecia por isso. Te amo Avelino”.
Sete dias depois, ela faleceu. Era um adeus. Vá em paz Dona Angela!
Por Avelino Israel, jornalista