
Quatro pessoas foram presas em flagrante nesta quinta-feira (17) em Caraguatatuba durante uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo e do Detran-SP.
Os detidos são acusados de integrar um esquema de fraudes em serviços de formação de condutores e, em um dos casos, de estelionato contra pais de alunos de uma escola particular.
A ação ocorreu após denúncias e monitoramento da Auto Escola Indaiá, onde foram identificadas aulas fantasmas, registros falsos de presença, além do pagamento de propina para garantir aprovação de alunos nos exames teórico e prático de direção.
O casal proprietário da empresa — que também administrava o extinto Colégio Gemini — está entre os presos.
O portal spriomais entrou em contato com a Autoescola Indaiá, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
O que motivou a operação
A investigação da Polícia Civil teve como foco irregularidades em autoescolas do Litoral Norte, especialmente em Caraguatatuba. Durante a operação, fiscais do Detran acompanharam em tempo real a movimentação na Auto Escola Indaiá e constataram diversas fraudes.
Aulas fantasma e cobrança de propina
O Detran apurou que os alunos registravam presença com digital, mas não realizavam a aula e em um dos casos os agentes observaram um aluno saindo a pé do local após passar pela biometria.
Também houve registro de falsas aulas teóricas, em que o responsável pela aula deixava a autoescola durante o horário e os alunos ficavam assistindo vídeos.
Segundo a Polícia Civil, o casal ainda cobrava propina dos alunos para garantir aprovação nos exames.
“Áudios reveladores mostram o próprio dono da autoescola confessando que fazia a prova teórica dos alunos que pagassem propina”, afirmou a polícia.
Prisões e apreensões
As quatro pessoas foram presas em flagrante dentro da Auto Escola Indaiá, instalada em um posto de gasolina no centro da cidade. Durante a operação, a polícia apreendeu:
- 2 veículos
- 6 celulares (que serão periciados)
- Computadores usados para controle de aulas e registros digitais
Todos os envolvidos passaram por exames médicos e devem ser apresentados à Justiça em audiência de custódia.
Casal também é investigado por golpe em colégio
O casal preso também é investigado por outro caso, envolvendo o fechamento irregular do Colégio Gemini, no bairro Martim de Sá.
Mais de 30 pais denunciaram estelionato após terem feito o pagamento da rematrícula no início do ano letivo. Pouco tempo depois, o colégio foi fechado sem autorização da Diretoria de Ensino e sem devolução dos valores pagos.
Consequências para alunos envolvidos
O Detran-SP alertou que alunos que participaram do esquema e pagaram propina podem ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cassada.
A Polícia Civil continua investigando quem foram os alunos beneficiados pelas fraudes.
Crimes apurados
De acordo com a Polícia Civil, os quatro suspeitos responderão pelos crimes de Associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção passiva e inserção de dados falsos em sistema da Administração Pública
Os responsáveis por autoescolas são considerados agentes delegados do Estado, o que agrava as penas previstas para esse tipo de crime.