
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nesta semana uma nova versão do mapa-múndi oficial com uma proposta ousada: o Sul no topo.
A novidade chama atenção por inverter a orientação tradicional que coloca o Norte na parte superior dos mapas — e, com isso, traz o Brasil de volta ao centro do mundo, literalmente. O mapa pode ser comprado no site do IBGE a partir de R$ 15 (tamanho A3).
A mudança não é um erro, mas sim uma escolha política e simbólica. Segundo o IBGE, o mapa pretende questionar padrões históricos e dar visibilidade ao Sul Global, especialmente em um momento em que o Brasil assume papéis de liderança em fóruns e eventos internacionais.
Além da nova orientação, o mapa destaca cidades e regiões brasileiras ligadas a eventos internacionais estratégicos: o Rio de Janeiro, como capital do Brics; Belém, como sede da COP30; e Fortaleza, que sediará o Triplo Fórum Internacional do Sul Global. Também são evidenciados os países do Brics, os lusófonos e os que compartilham o bioma amazônico.
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Essa crítica à visão dominante do mundo não é nova. O artista uruguaio Joaquín Torres García já havia feito isso em 1943, com sua obra “América Invertida”, em que desenha o continente de cabeça para baixo.

Para ele, o sul deveria ser o verdadeiro norte da América Latina, como forma de romper com a influência imperialista e valorizar a cultura e a identidade do continente. “Nosso norte é o sul”, dizia o artista, num manifesto que inspirou o atual debate.
Geógrafos e pesquisadores avaliam que o novo mapa do IBGE é uma forma de “desnaturalizar” a antiga ordem mundial.
O mapa lançado pelo IBGE usa a projeção cartográfica Eckert III, que busca equilibrar formas e áreas dos continentes, ao contrário da projeção de Mercator, amplamente usada desde o século 16, mas que distorce o tamanho de países e reforça o protagonismo do hemisfério Norte.
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