O caso do avião de pequeno porte que varou a pista do Aeroporto de Ubatuba não foi o primeiro do tipo. O acidente, na manhã desta quinta-feira (9), deixou uma pessoa morta e outras cinco feridas.
A aeronave envolvida no acidente, um Cessna Citation 525, pousou em uma pista com extensão inferior à mínima recomendada para o modelo. Segundo a fabricante norte-americana, o avião exige uma distância mínima de 789 metros para pouso.
Embora a pista do aeroporto tenha uma extensão total de 940 metros, a cabeceira 09, onde pousou o Cessna, tem a distância reduzida a menos de 500 metros por conta da proximidade com um morro.
Nos últimos anos, houve três ocorrências do tipo, classificadas como “excurssão de pista” no aeródromo, mas todas sem vítimas fatais (confira abaixo).
Os casos aconteceram em 2017 e 2019 e foram investigados pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da Força Aérea Brasileira.

Acidente com monomotor
Em 4 de julho de 2017, uma aeronave Piper PA-28, um monomotor com três pessoas a bordo (um piloto e dois passageiros), parou em uma área gramada depois de sair da pista do aeroporto.
O avião decolou do Aeródromo Campo de Marte (SBMT), em São Paulo, com destino a Ubatuba por volta das 19h30. Após o pouso, a aeronave ultrapassou o limite da pista e acabou parando no gramado.
Segundo relatório do Cenipa, o Piper teve danos substanciais, mas todos os ocupantes saíram ilesos. O caso foi registrado como acidente.
De acordo com o relatório final do órgão, a execução de um pouso longo, combinada com vento de cauda no momento, resultou na incapacidade de parar a aeronave dentro dos limites da pista.
O Cenipa concluiu também que a escolha inadequada da cabeceira (27, no caso), associada à pouca experiência do piloto e à falta de familiaridade com o aeródromo, foram fatores determinantes para o acidente.
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Incidente grave com Cessna
No dia 29 de dezembro de 2017, uma aeronave Cessna 510 decolou às 16h45 do Aeródromo de Jundiaí, em São Paulo, com destino a Ubatuba. O voo tinha como finalidade realizar um voo de transporte privado e levava três passageiros, além do piloto.
Após o pouso, o avião saiu da pista e realizou um giro de 230 graus no sentido anti-horário, também parando em uma área gramada a 43 metros após o final da pista. A aeronave teve danos leves e todos os ocupantes saíram ilesos.
O principal fator para o incidente, de acordo com o Cenipa, foi uma falha no planejamento operacional, com cálculo inadequado da performance de pouso.
Além disso, a combinação de peso excedido, vento de cauda, pista molhada e comprimento limitado da pista para pouso do modelo (940 metros contra os 1.062 metros exigidos pela fabricante) resultou em uma operação fora dos parâmetros seguros.
Incidente grave durante decolagem
Em 9 de agosto de 2019, uma aeronave de modelo Fascination D4 decolava do aeródromo de Ubatuba com destino ao aeródromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, para um voo desportivo com um piloto e um passageiro a bordo.
Durante a corrida de decolagem, houve o recolhimento inadvertido dos trens de pouso. A aeronave tocou a pista sem trem e parou extrapolando os limites laterais da pista com o motor em marcha lenta.
Segundo o Cenipa, a aeronave teve danos leves e o piloto e o passageiro saíram ilesos.
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