O Centro de Documentação Musical (CDM) de São José dos Campos, iniciativa liderada pela musicóloga e colunista do portal spriomais Raquel Aranha, batalha para mostrar que a preservação do patrimônio musical brasileiro é possível e deve se tornar um investimento nacional.
A proposta de Raquel foi inscrita às pressas na plataforma Brasil Participativo, que permite que a população participe da criação e melhoria de políticas públicas.
Pelo site, a população pode escolher projetos a serem apresentados ao Governo Federal até esta segunda-feira (23). “Foi uma correria imensa. Coloquei o projeto ontem na plataforma e saí da posição zero para o primeiro lugar”, contou Raquel.
Hoje a proposta lidera o eixo temático “Patrimônio e Memória”, com pouco mais de 150 votos (interessados em colaborar com esse número podem votar aqui).

As duas iniciativas mais votadas de cada eixo terão a chance de serem apresentadas ao Ministério da Cultura, que avaliará a viabilidade de transformá-las em ações concretas de fomento.
“Eles precisam saber o que fazemos aqui. O CDM funciona como um protótipo que pode ser replicado em outras cidades, ajudando a proteger o patrimônio musical brasileiro”, afirmou a diretora do centro.
O que faz o CDM
O CDM é um projeto da SOCEM (Sociedade de Cultura e Educação Musical), sem fins lucrativos, em parceria com a AFAC (Associação para o Fomento da Arte e Cultura), que gerencia o Parque Vicentina Aranha.
Dentro do Pavilhão Marina Crespi, no Vicentina, um pequeno grupo de voluntários, comandados por Raquel, destina seu tempo para preservar o patrimônio musical da região.

No CDM, itens históricos de músicos do vale do Paraíba, como documentos, cartas, partituras, fitas cassete e fitas-rolo, cadernos de canções e discos de vinil são coletados, documentados e conservados.
A maioria dos materiais que chegam ao CDM é fruto de doação. O trabalho depois inclui etapas como triagem, higienização, digitalização, acondicionamento e catalogação.
A realidade é que muitos desses objetos geralmente são descartados. Quando vão para o lixo, pedaços da história musical das cidades se perdem.
Para saber mais sobre o CDM, acesse o site e o perfil do projeto no Instagram.
Um divisor de águas para a música brasileira
Além de proteger a memória musical brasileira, a proposta de Raquel, utilizando a atuação do CDM como exemplo, busca fomentar o mercado de trabalho para músicos e profissionais ligados à preservação cultural.
Existem poucas instituições ou iniciativas independentes que realizam a salvaguarda desses acervos no país como faz o CDM hoje.
“Sem o investimento público constante, apenas os editais, pontualmente, podem dar algum respiro para essas ações”, avalia a doutora em música pela Unicamp (Universidade de Campinas).
É preciso haver políticas públicas que contemplem a continuidade destas ações, e o estado tem essa atribuição, constitucional, para apoiar e salvaguarda do patrimônio musical do país”, completa.
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