A Avibras, indústria bélica sediada em Jacareí, comunicou, nesta segunda-feira (9), que o investidor brasileiro que estava em processo de compra da empresa desistiu do negócio.
Segundo a nota oficial divulgada pela companhia, a decisão foi inesperada e chegou como uma surpresa para a empresa. A desistência foi comunicada ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, ao Sindicato dos Metalúrgicos de Lorena, ao Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo e à imprensa local, no final da tarde.

Na mensagem, o investidor informou a retirada de sua proposta após 45 dias de negociações, que envolvia um acordo trabalhista negociado com as entidades sindicais, e a decisão de não cumprir as condições estabelecidas para o fechamento do contrato.
Embora a Avibras tenha cumprido as obrigações contratuais, o investidor optou por não prorrogar o acordo. Ele possui o direito de desistir do negócio a qualquer momento e sem justificativa.
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A empresa, por sua vez, respeita essa decisão e reafirma seu compromisso de manter as condições de confidencialidade acordadas no contrato.
A Avibras informou que já está em contato com outro potencial investidor e continuará as negociações para garantir o investimento necessário à sua recuperação. A companhia promete fornecer atualizações sobre o progresso desse novo processo nos próximos dias.
Apesar da frustração e da insegurança causadas pela desistência, a Avibras reafirmou seu compromisso em buscar alternativas que assegurem a continuidade de suas operações e o futuro da empresa.
O Sindicato dos Metalúrgicos se manifestou e afirma que repudia o fato ocorrido, já que a empresa e o investidor sabiam do “drama dos trabalhadores”.
A entidade ainda considera “lamentável” a desistência da transação comercial, já que foram criadas grandes expectativas entre os funcionários, que estão há 20 meses sem receber salários, FGTS e INSS.
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Compra da Avibras
A Avibras informou em 29 de outubro que estava sendo negociada por um investidor brasileiro, que não teve o nome divulgado.
A empresa pediu recuperação judicial à Justiça do Trabalho em março de 2022, alegando uma dívida de R$ 600 milhões, mesma época que os funcionários entraram em greve. Conforme o Sindicato dos Metalúrgicos, eles estão sem receber há pelo menos 20 meses.
Durante as negociações, o apresentou as seguintes propostas:
- Pagamento do salário de dezembro e do 13º em 30 de dezembro de 2024
- Quitação dos 19 salários atrasados em 13 parcelas, a partir de janeiro de 2025
- Retorno do plano de saúde corporativo
- Compromisso de manter a Avibras na região por 10 anos
- Renúncia de todas as multas referentes aos atrasos salariais
- Retomada do trabalho presencial em dezembro de 2024
Porém, a proposta foi rejeitada pelo sindicato, que estabeleceu as seguintes condições:
- Definição de uma data para restabelecimento do plano de saúde
- Pagamento do 13º salário até 20 de dezembro de 2024
- Reajuste de 4% nas cláusulas econômicas
- Estabilidade no emprego para todos os trabalhadores até abril de 2025
- Extensão das cláusulas sociais do Acordo Coletivo até 31 de agosto de 2026
No entanto, as partes não chegaram a um acordo.
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