De geração a geração, as professoras e também mãe e filha, Rosana e Juliana Martins, constroem um legado na educação municipal em São José dos Campos (SJC).
Para Rosana, que hoje tem 63 anos e aos 56 se dispôs a cursar o ensino superior em pedagogia, tudo começou após a formação em magistério. Aos 30 anos, incentivada pela mãe, que era dona de casa, ela finalizou o curso e passou a dar aulas para o ensino fundamental.
Foram quatro anos em sala de aula até que, engravidou de João Lucas, seu primeiro filho, e resolveu dar uma pausa na carreira a fim de se dedicar exclusivamente à função que ninguém poderia exercer por ela.
“Ser mãe não é como uma profissão que a gente para, ser mãe é ser mãe a vida toda, então eu não parei”, disse Rosana, que logo em seguida engatou na gestação de Juliana, sua segunda filha.

A infância dos filhos de professora era cercada por cobranças, até porque na família outras quatro tias também eram professoras: manter as tarefas em dia e ter uma letra bonita eram obrigações corriqueiras dos irmãos.
“Minha mãe era bem rigorosa com as tarefas e procurava sempre que eu fosse a melhor aluna. Eu lembro que sempre tive caderno de caligrafia, então nas horas vagas, depois que fazia as tarefas, minha mãe me colocava para escrever no caderno e aperfeiçoar minha letra “, relata Juliana.
Ao terminar o ensino médio, a filha mais velha começou a pensar no futuro. Psicologia foi um curso cogitado, mas a falta de oportunidades que poderia ter de encarar no mercado, a fez mudar de ideia.
“Minha mãe falou: ‘Olha, é uma área que você se destaca bastante, por que você não faz pedagogia? Aí quando você se formar e conseguir trabalhar na área, se manter como professora, você pensa em fazer psicologia e complementa sua graduação'”, lembra a filha, que seguiu ao conselho da mãe e hoje não se arrepende.

Foram 30 anos dedicados à criação dos filhos, que hoje já têm suas próprias responsabilidades e famílias. Nesse período, o certificado de magistério deixou de ser válido e, consequentemente, Rosana não tinha mais possibilidade de atuar no mercado.
Diante da necessidade de ter o ensino superior para exercer a profissão, ela encarou a universidade. Com apoio da filha e de toda família, ela conseguiu se formar em pedagogia, conquistando novamente habilitação para lecionar.

Hoje, ambas ensinam para a faixa etária de 4 a 5 anos. Juliana é professora da EMEI Jane Palumbo e Rosana da EMEI Professor Benedito Ladiel de Carvalho, na zona sul da cidade.
“Sobre a minha filha, eu me orgulho bastante e tenho aprendido com ela. Fico muito feliz por ela ter me ouvido, até porque agora ela pode passar para as filhas dela uma educação mais completa”, alegra-se Rosana, que é avó de duas meninas.
“A Maria Júlia, minha filha mais velha, já tem externado esse desejo pela pedagogia. Ela disse que é uma profissão muito bonita e mesmo com a correria ela quer ser professora. Então o conselho que eu daria é para fazer tudo com amor e aplicar o coração em tudo que ela fizer. Não é uma profissão fácil, mas é uma profissão que forma todas as outras”, completou Juliana.
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Sobre o Dia do Professor
15 de outubro foi instituído Dia do Professor em 1827, no período do Brasil Imperial.
Dom Pedro I baixou o decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, que estabelecia que todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem escolas para que os alunos recebessem aprendizados básicos como leitura, escrita, noções de geometria e as quatro operações de cálculo.
Mais tarde, em 1947, o professor paulista Samuel Becker, resolveu transformar a data em feriado, pois o período letivo do segundo semestre do ano era muito longo, com somente dez dias de férias. Cansado, ele e um grupo de colegas organizou um dia de folga no dia 15 de outubro.
O “feriado” foi aceito pelos demais professores e alunos, que confraternizavam juntos. A celebração se espalhou pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até que se tornou oficialmente feriado escolar por decreto em 1963, durante o governo de João Goulart.
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