O que acontece quando mulheres se juntam e transformam suas experiências em uma obra literária? O livro Cartas para o Feminino, projeto editorial coletivo da Alma e Letras, é um exemplo do que isso pode ser transformar.
A coletânea reúne 17 cartas de autoras que falam sobre suas vivências, como maternidade, espiritualidade e infância e ainda ajudam a refletir sobre o que é a essência feminina.

Na obra, mulheres comuns e escritoras compartilham suas vozes com coragem e autenticidade, celebrando a força e a beleza do ser mulher em todas as suas formas. Uma delas é a autora Daniella Peneluppi, que conversou com o portal spriomais sobre o texto escolhido para o novo livro, além de sua trajetória com a literatura.
“A minha carta está falando para a terra”, conta Dani. “É engraçado que eu mandei antes de começar esse monte de queimada, mas já estava terrível a questão”.
O lançamento de Cartas para o Feminino acontece nesta sexta-feira (4), às 16h, na Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, em São José dos Campos.
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Confira a entrevista
- O que motivou a escrita e como foi o processo de criação do livro?
O hábito pela leitura despertou em mim a escrita. Sempre gostei muito de ler. Minha mãe era professora de língua portuguesa e amava a sala de aula. Sua maior paixão era a literatura. Ela nunca foi minha professora oficial, mas nas entrelinhas é a minha grande mestra, sua paixão me contagiou. A casa de minha infância sempre teve muitos livros. Eu e meus dois irmãos tivemos total acesso a todos eles, desde que não os entregássemos. Eram objetos amigos, que faziam companhia e não de exibição, guardados em estantes. Sei que não é a realidade da maioria dos brasileiros ter livros em casa. Aí entendemos um pouco mais sobre a importância de políticas públicas para a cultura e a educação. Na hora de dormir, minha mãe sempre contava uma história. E foi aí que tudo começou. Quando ela terminava o conto, apagava a luz e ia dormir. Eu simplesmente fechava meus olhos e, ao invés de adormecer, começava a imaginar um novo final. Uma continuidade para tudo o que havia ouvido. Era como se apenas ouvir histórias não fosse o suficiente para mim, eu sempre queria ir além, queria criar. Mas demorou para eu entender que queria ser escritora. Antes escrevi muitas cartas. Eu tinha mania de cartas. Até hoje tenho as respostas guardadas. Depois escrevi diários, muitos. Mas o hábito mesmo de escrever, todos os dias, essencial para um escritor, quem despertou foi um professor que tive numa escola de Toppenish, no estado de Washington, nos Estados Unidos, no terceiro ano do ensino médio, numa reserva indígena que morei quando fiz intercâmbio cultural pelo Rotary Club. Quando retornei ao Brasil e fui para a faculdade tudo fluiu. Passei a escrever dramaturgia, poemas, crônicas, contos. Foi um processo lento, mas tão natural que só me vi escritora em 2010, com o lançamento do meu primeiro livro de poesia, o “Desmergulho”. Neste dia percebi que eu estava transbordando literatura.
- Quantos livros você já publicou e quais são seus temas principais?
Participo de mais de 15 coletâneas. Tenho três livros solos publicados. E outros dois a caminho. Trânsito sempre entre o público adulto e o infantil. Faço questão de levar à criança uma poética de excelência, sem jamais subestimar a sua capacidade de compreensão de mundo. Meu livro Tempo de Vento- Poesia em Movimento é uma obra de arte. Além dos poemas serem belíssimos, ao se somarem às ilustrações, ele se tornou uma verdadeira obra de arte literária. Já o livro Luara Azul é um retrato da infância atual pós pandêmica, com o universo como pano de fundo. É um livro encantador. Ele tem uma personagem protagonista, a Luara. Uma personagem encantadora, criança e mulher, que na pré adolescência descobre ser diferente dos outros planetas, é satélite e eclipsa! Gosto da temática do feminino somado à natureza. Estes temas estão presentes em todas as minhas obras, mas por se tratar de questões universais. A literatura feminina é para todos, assim como acontece com um escritor homem. Dia desses fui a uma escola e um menino de uns 8, 9 anos me perguntou: Por que você deu o nome de menina e não de menino a Luara? Perguntei se a personagem poderia ser com menino apenas? Ele e outros meninos rapidamente disseram que sim, já as meninas disseram que não, que era mesmo uma menina. Eu fiquei muito feliz com ambas as respostas e expliquei a eles que Luara era uma menina da idade deles e que por este motivo todos poderiam se identificar com ela, afinal a necessidade de uma criança, sendo menina ou menino, eram as mesmas e era disto que a obra tratava, de necessidades humanas para o desenvolvimento de crianças.
- Qual a importância de representar personagens femininas em suas obras?
Dia 12 de outubro está chegando e é muito importante falarmos sobre este tema. A importância de acessibilizar às nossas crianças meninas/mulheres mais livros com protagonistas em que elas se identifiquem. Ainda hoje os livros mais divulgados tem como protagonistas meninos. Temos que virar esta página. E para que isto aconteça seguirei escrevendo livros com personagens femininas fortes.
- O que os leitores podem esperar de Cartas para o Feminino?
Não vejo a hora de pegar pela primeira vez o livro nas mãos. O Lançamento é mágico, pois é a hora em que a obra ganha vida própria. Fico curiosa imaginando como as palavras que escolhi tocará o leitor. Em quais vãos reverberarão. Minha carta é da Vida para os seres do Planeta Terra. Escrevi em janeiro, mas está tão atual que mais parece um prenúncio. Além de dar voz à natureza, estar numa coletânea assim, com mulheres tão diferentes, é ainda mais inspirador. Venham prestigiar o nosso lançamento!
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