O público de um shopping center, salvo raras exceções, não se destaca. São pessoas comuns em seu lazer cotidiano. Casais assistindo a mais nova comédia romântica clichê lançada por Hollywood no cinema, famílias curtindo a variedade de redes de fast-food na praça de alimentação, senhorinhas batendo perna e adolescentes longe dos pais em seus rolês repletos de independência.
Todos esses grupos podem ser facilmente identificáveis, mas acabam sendo tão comuns aos nossos olhos que formam uma multidão quase homogênea. No final de semana, o Via Vale Shopping, em Taubaté, sai desse padrão por causa do Batman Day, comemorado em 21 de setembro.
O shopping recebe no sábado (21) e domingo (22) a Arkham Geek Fest para celebrar o herói de Gotham City com a liberdade criativa do mundo dos quadrinhos.
A programação inclui concursos de cosplay, batalhas de k-pop, exposição de carros temáticos, uma arena de games e quiz de anime para os otakus (os fãs da cultura pop japonesa) testarem seus conhecimentos.
Criadores de conteúdo geek e artistas independentes terão um espaço especial reservado no Artist Alley (o “beco dos artistas”, em tradução literal), um espaço que já é clássico em eventos da cultura nerd, como Comic-Con e Imagineland.
Ilustradores de diversos estilos, quadrinistas e um Super Mario especialista em esculturas de papel vão apresentar seus trabalhos lá.

“Batmans de Taubaté”
Duas pessoas estão por trás da ideia, Júlio Correia, CEO de escolas de inglês na região, e Luiz Cláudio, que hoje é muito mais conhecido por Bruce Rodrigues, o “Batman de Taubaté”.
Bruce é a segunda geração do Batman na cidade. Ele é o sucessor de André Luiz Trevisan, o Andy, um militar aposentado da Marinha que ficou conhecido há mais de dez anos pelo trabalho de justiçeiro.
“O carinho das pessoas foi tão grande que acabei vestindo esse manto. Como ele [Trevisan] se aposentou, o pessoal passou a me chamar como o Batman de Taubaté. Então, eu sou o segundo Batman aqui. E a gente vem trabalhando até a hora que a gente aguentar”, falou o novo homem-morcego da cidade sobre a herança de posto.
Andy participava de atividades com policiais, aconselhava crianças nas escolas e também fazia eventos fantasiado. Mas sua maior ação foi coisa de filme: subiu até o topo do relógio da CTI, no Centro – e tem registro em vídeo para comprovar.
Nome não vem dos quadrinhos
Quem vê a fantasia de Batman pensa que o nome pegou por conta da verdadeira identidade do herói nos quadrinhos, mas é pura coincidência. “O Bruce não vem de Bruce Wayne, o Bruce vem de Bruce Dickinson”, explica Rodrigues, que completa 54 anos um dia após o aniversário do homem-morcego.
Bruce Dickinson é ex-vocalista do Iron Maiden, banda da qual o Batman de Taubaté é fã. O apelido surgiu na época de escola, quando Luiz Cláudio fazia dublagem com uns “amigos loucos” e interpretava muitas vezes o cantor.
Um Batman que faz sua roupa
A criançada que cresceu entre os anos 70 e 80 no Brasil presenciou uma febre dos quadrinhos. Os super-heróis eram estrelas das HQs e conquistaram milhares e milhares de fãs. Foi exatamente assim, em uma revistinha comprada pelo pai na Feira da Barganha, que Rodrigues conheceu o Batman. “Fui me apaixonando pelo pelo personagem, as aventuras, brincava de herói como qualquer outra criança e a paixão foi crescendo”, conta.
Virar herói não foi um desejo de menino. Aconteceu há sete anos estimulado pelo filho, Luiz Miguel, que apresentou o cosplay ao pai e encontrou um baita companheiro.
“Eu nem sabia que existia [cosplay]. Meu filho é muito fã do Homem-Aranha e pediu para eu comprar uma fantasia para ele, queria ir nos eventos que via pela internet. Aí nós compramos essa fantasia. Eu e minha esposa levamos e acabamos descobrindo esse universo magnífico, muito gostoso, bem família”, lembra Rodrigues.
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O primeiro traje de Batman foi feito à mão por Luiz Cláudio. Todos os que vieram depois também. Hoje são nove fantasias diferentes do herói cuidadosamente trabalhadas, dos músculos que lhe faltam à máscara que cria a identidade de herói.
Sua favorita é o traje de Thomas Wayne, que em uma outra realidade dos quadrinhos perde o filho Bruce e assume o combate ao crime. O personagem é uma versão mais “valentão” do Batman, com menos paciência e maior letalidade.
Será com ela que Rodrigues vai se fantasiar para o segundo e último dia de AGF. “Ele bate primeiro e pergunta depois. Usa armas e não esquenta a cabeça. Ele mata mesmo. O traje tem um símbolo vermelho e os olhos da máscara também são vermelhos”, descreveu o Batman de Taubaté.

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