Já recebeu a mensagem de um parente ou conhecido pedindo dinheiro pelo WhatsApp? Ou de repente, clicou num link falso sem querer? Com diversos tipos de abordagem, cair num golpe ou fraude financeira tem sido cada vez mais comum.

Somente no ano passado, mais de 7 milhões de consumidores sofreram algum tipo de golpe ou fraude financeira de acordo com dados da pesquisa CNDL/SPC Brasil.
E não existe um perfil ideal de quem pode passar pela situação, todo mundo pode ser alvo dos criminosos. Por isso, o portal spriomais conversou com César Galvão, Assessor Administrativo do Sicredi, para desmistificar os principais pontos sobre como contornar este cenário. Confira a entrevista abaixo:
- Qual a diferença entre fraude e golpe financeira?
É muito importante que as pessoas saibam a diferença entre golpe e fraude, pois isso impacta diretamente no bolso da vítima. Quando ocorre uma fraude, a vítima desconhece a transação. Não foi ela que fez [a transação], ela não deu consentimento para terceiros fazer. E como não houve nenhum tipo de participação da vítima, é possível que ela consiga o ressarcimento.
Já no golpe, o pagamento é legítimo. Ele foi realizado pela vítima, que foi enganada pelo golpista através de uma engenharia social. E como mesmo que involuntariamente houve o fornecimento de alguma informação, seguimos os procedimentos externos de contestação.
Todas as instituições seguem esses procedimentos que visam rastrear o percurso do valor e tentar recuperá-lo. Entretanto, não existem garantias de que esse ressarcimento vai ocorrer, pois para isso é necessário haver saldo na conta destino, na conta que recebeu essa transferência.
- O que é engenharia social?
Engenharia social é a forma que os golpistas utilizam para envolver as vítimas. Então, de uma forma muito amistosa, tentando mostrar mesmo que é o funcionário de uma instituição financeira ou de alguma outra empresa que a pessoa possua fazer relacionamento, mostrando que sabe dados pessoais e até financeiro simples como o número de conta, número de agência, fazendo com que a pessoa acredite naquela história que está sendo contada.
- Quais são os principais golpes e fraudes financeiras?
Com relação aos principais golpes e fraudes financeiras, o primeiro que a gente pode destacar, que é o mais recorrente e que temos mais ouvido falar nos últimos meses, é a questão da falsa central de atendimento, em que o golpista está entrando em contato com a vítima, fingindo ser um atendente de uma instituição financeira ou de uma empresa com a qual a pessoa tem algum tipo de relacionamento.
Ele relata que foi identificado alguma compra suspeita, uma movimentação atípica ou algum outro problema de segurança envolvendo a conta dessa pessoa, e convence que para cancelar essa transação, para estornar, são necessários alguns dados pessoais e financeiros ou realizar transações. Ou até mesmo instalar aplicativos maliciosos, dando acesso aos fraudadores a informações de todo tipo.
O segundo é com relação ao WhatsApp e nessa modalidade de golpe a gente destaca dois modus operandi: o primeiro é quando o golpista entra em contato com a vítima através de um número desconhecido, mas utilizando a foto de perfil de algum familiar ou amigo e apela para alguma urgência, pedindo uma transferência para terceiros ou até um pagamento de boleto, alegando já ter atingido o limite máximo diário ou ter bloqueado o aplicativo,, e a pessoa para ajudar esse conhecido, acaba fazendo essas transações.
E a segunda forma, ainda através do WhatsApp, é quando a vítima recebe o contato de uma pessoa se passando por atendente de site de venda de alguma empresa ou instituição financeira que ela possui conta e solicita uma atualização cadastral. Para confirmar, ele pede que seja passado um código de verificação que já foi enviado por SMS. Código esse que permite a ativação do WhatsApp da vítima no aparelho do golpista, possibilitando acesso a contatos histórico de conversa e a partir de então pede dinheiro aos contatos se passando pela vítima.
O terceiro tipo que a gente pode destacar é a questão dos links falsos, que são aqueles links enviados através de e-mail, SMS, WhatsApp ou até mesmo das redes sociais, induzindo a vítima a clicar nesses links maliciosos com objetivo de obter informações pessoais e financeiras de bancos.
E por fim, a quarta modalidade mais recorrente no mercado financeiro é a questão do falso sequestro que ocorre quando um golpista entra em contato com a vítima informando que sequestrou um suposto familiar, fazem uma encenação, cria uma situação e pedem dinheiro para liberar esse familiar supostamente sequestrado.
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- Qual o perfil das vítimas?
Atualmente não dá para a gente falar que tem um perfil específico e direcionado para que essas fraudes e golpes aconteçam. Então, temos notado que independente de idade ou instrução, as pessoas vêm caindo em golpes. Entretanto, a gente percebe que os idosos são mais suscetíveis nessa prática.
E isso porque muitos idosos, muitas pessoas dessa faixa etária, acabam não tendo tanta familiaridade com os meios digitais e com o avanço da tecnologia, então eles ficam mais expostos a esse tipo de prática.
- O que explica a frequência cada vez maior desses golpes?
A tecnologia sem dúvida nos traz muitos benefícios, mas também tem algumas questões aí que a gente precisa cuidar, né? Então eu posso dizer que o aumento das golpes e fraudes podem ser atribuída a evolução rápida e constante da tecnologia. Outro ponto também é a questão do Pix, que veio para ficar. Então são muitas informações sendo compartilhadas diariamente, além das transferências, que até pelo WhatsApp hoje a gente consegue fazer. Todos esses fatores facilitam a nossa vida, mas também facilitaram muito a vida dos criminosos.
- O que fazer para se prevenir dos golpes e fraudes?
Além de acompanhar os noticiários, é importante que as pessoas estejam atentas também às comunicações que as instituições financeiras têm feito acerca disso. O Sicredi por exemplo está publicando nas redes sociais formas de prevenção a golpes e fraudes. E até mesmo na TV a gente tá tá aí com uma campanha exatamente para fazer com que as pessoas se atentem a esse tipo de prática que vem acontecendo.
- E se infelizmente a pessoa for uma vítima de golpes e fraudes, o que ela pode fazer?
Assim que a pessoa perceber que foi vítima de um golpe ou de uma fraude, é importante que ela mantenha calma. Não se apavore, pare para pensar. Identifique se a situação é real e, em hipótese alguma, realize qualquer procedimento por telefone. Não baixe, nem instale nenhum aplicativo, não acesse links desconhecidos, não compartilhe informações pessoais com pessoas desconhecidas. E se receber uma ligação, encerre. É importante procurar a sua instituição financeira imediatamente e relatar o ocorrido. A forma mais rápida de fazer isso, de fazer essa comunicação, é por meio do 0800 que está atrás dos cartões.
E lembrando sempre que a vítima receber alguma abordagem informando sobre uma compra suspeita, acesso suspeito, transferência ou PIX que foi realizado, se a pessoa sabe que não foi que não foi feita essa transação, ela precisa ficar tranquila e apenas ignorar essa essa ligação ou mensagem e imediatamente comunicar a sua instituição.