Essa semana estou no Rio de Janeiro e, desde que me mudei da cidade há seis anos, tenho observado um fenômeno intrigante: a invasão do mar sobre a faixa de areia das praias.
Recentemente, ao encontrar meu grande amigo Tofic, jogador de vôlei e beach tennis frequentador assíduo da Praia do Leblon, ele me contou que agora joga suas partidas em Ipanema, pois a porção de areia onde costumava jogar foi tomada pela maré. Inclusive, ressacas com ondas atravessando a avenida e chegando à portaria dos prédios já não são tão raras.
Poderíamos pensar que isso seria um caso isolado, mas não é. As mudanças climáticas estão avançando rapidamente e causando efeitos devastadores em várias partes do mundo. Um exemplo alarmante é o que está acontecendo bem próximo a nós, em Peruíbe, no litoral de São Paulo.
O rio da Barra do Una está subindo e causando preocupação entre os moradores. A destruição das dunas e restingas, que protegem a vila, é um sinal claro de que algo precisa ser feito. O mar avançou tanto que chegou até a rua Beira Mar, ameaçando as casas e forçando os moradores a considerarem a possibilidade de se mudarem.
Cidades costeiras como Santos, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza e Salvador também estão na linha de frente dessa batalha. A elevação do nível do mar e as tempestades intensas causam erosão costeira e inundações, ameaçando infraestruturas, propriedades e até mesmo a economia local.
E a situação vai além do Brasil. O país que poderá se tornar o primeiro país digital do mundo devido às mudanças climáticas é Tuvalu. Localizado no Pacífico, entre a Austrália e o Havaí, Tuvalu enfrenta graves ameaças devido ao aumento do nível do mar, que pode submergir completamente a nação até o final do século. Para preservar sua cultura e história diante dessas ameaças, Tuvalu está embarcando em um projeto para se tornar uma “nação digital”.
Isso envolve a criação de uma réplica digital do país no metaverso, onde serão catalogados e preservados documentos históricos, práticas culturais, álbuns de família, canções tradicionais, entre outros aspectos do patrimônio de Tuvalu. Este projeto foi anunciado pelo Ministro de Relações Exteriores, Simon Kofe, durante a COP26, destacando a necessidade de considerar alternativas para a sobrevivência do país.

Outros países também estão enfrentando ameaças imediatas à sua existência. Maldivas, um país insular no Oceano Índico, é frequentemente citado como um dos mais vulneráveis ao aumento do nível do mar. Com uma elevação média de apenas 1,5 metros acima do nível do mar, muitas de suas ilhas podem ficar submersas se o nível do mar continuar a subir.
Kiribati, também um país insular no Pacífico, enfrenta desafios semelhantes com o aumento do nível do mar contaminando suas fontes de água potável e afetando suas terras agrícolas. A erosão costeira é uma preocupação crescente, ameaçando a segurança alimentar e a habitação.
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Apesar de alguns sugerirem que são ciclos planetários, não há dúvida de que nós, seres humanos (e arma biológica mais letal que existiu nos últimos dois mil anos), contribuímos significativamente para a aceleração desses ciclos.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) projeta que o nível do mar pode subir entre 0,26 a 0,77 metros até o final do século, dependendo dos cenários de emissões de gases de efeito estufa.
Esse aumento tem impactos negativos como a erosão costeira, a salinização de aquíferos e solos agrícolas, além da destruição de habitats naturais e infraestrutura humana. Embora não seja uma nação insular, Bangladesh é extremamente vulnerável ao aumento do nível do mar e a inundações devido ao seu terreno baixo e densamente povoado. A elevação do nível do mar pode deslocar milhões de pessoas, criando crises humanitárias.
A situação é crítica e exige atenção imediata. As mudanças climáticas são uma realidade que já está afetando nosso dia a dia. Precisamos agir agora para proteger nossas praias, cidades e o meio ambiente para as futuras gerações. O que está acontecendo nas nossas praias e em locais como Peruíbe é um alerta que não podemos ignorar. A hora de agir é agora!
As práticas de ESG (Environmental, Social, and Governance) não são apenas um modismo corporativo, mas uma necessidade urgente. Cada ação sustentável que adotamos hoje é um passo para garantir um amanhã mais seguro e habitável. Vamos nos inspirar em exemplos de resiliência e inovação, nós brasileiros somos reativos demais, e tempos duros requerem proatividade. A mudança começa com cada um de nós e já!
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