O futuro sustentável do planeta é ameaçado e isso não é novidade para ninguém. A Terra esquenta, as geleiras no Ártico derretem, a Amazônia é desmatada e isso tudo nos parece muito distante.
O cidadão civil faz pouco pela manutenção da própria espécie. Quando separa a casca de banana na lixeira orgânica parece muito. Mas será que é? Depende disso? Qual o impacto de um indivíduo? Quem diz?
As mudanças climáticas, cada vez mais extremas com o passar dos anos, deixam explícito que a indústria, as grandes instituições e os governos agem menos do que o suficiente. A catástrofe no Rio Grande do Sul há poucas semanas apontou mais culpados do que reações.
O Parque de Inovação Tecnológica (PIT), em São José dos Campos, recebeu um evento aberto na tarde desta terça-feira (18) que mostrou detalhadamente esse buraco em que nos enfiamos. Um lugar em que toda a humanidade contribuiu para alcançar. Conforme evoluímos, mais fundo chegamos.

A ideia era debater o clima do futuro nas smart cities, como São José. Uma discussão importantíssima organizada junto à Climatempo.
Os especialistas que subiram ao palco passaram a tarde explicando o impacto das mudanças climáticas com dados e gráficos que chamam tanto a atenção quanto a temperatura do lado de fora alcançar 27°C a dois dias do início do inverno.
Muitas das métricas estabelecidas pelo mundo para conter os avanços problemáticos do clima já foram batidas. Em 2015, no Acordo de Paris, mais de 195 países concordaram em atuar para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C – um dos maiores objetivos já perdidos.
Também foi assustador saber que o nível médio do mar subiu cerca de 20cm nos últimos 100 anos, segundo dados da NASA. E se a cobertura de gelo da Terra descongelar, teremos o mar transbordando para dentro dos continentes e acabando com qualquer resquício de civilização nas regiões costeiras do planeta.
“São planos que já estão no passado. Precisamos sair dessa inércia. Temos que pensar em integração. Quando a gente pensa em smart cities, não é só a Prefeitura. É a sociedade como um todo engajada em prol do ambiente naquela cidade”, pontuou Pedro Regoto, gerente de projetos da Climatempo.
O auditório tinha apenas uma metade dos assentos disponíveis e longe de ser preenchida. Nas cadeiras, a maioria eram pesquisadores, agentes climáticos e professores universitários. As inscrições eram feitas por um formulário que não devia demorar dois minutos para ser preenchido. Podiam também ser realizadas na hora. Mas a discussão infelizmente não alcançou a população.
O debate do clima se limitou ao auditório. “Seria lindo se isso aqui estivesse lotado, não só por empresas, mas pela população. Aí sim a gente teria uma massa aqui”, disse Pedro.
Gilca Palma tem 25 anos de Climatempo. Entrou como estagiária em 1999 e atualmente ocupa o posto de diretora de produtos. Ela destacou a importância das ações de adaptação às mudanças climáticas e colocou a pesquisa como aliada. “A criação de uma de base de dados de qualidade é fundamental”, afirmou. Isso é o que pode alimentar as inteligências artificiais e as ajudarem a equacionar soluções para o planeta. “Sem os dados elas mentem pra você”, advertiu.
O conhecimento é a chave para ter melhores ações e deve ser espalhado entre as pessoas. Por isso é tão necessário que debates como os de hoje não fiquem nichados. O ar precisa circular. Gilca citou o exemplo de uma amiga de trabalho que se mudou para Pelotas (RS). “Ela comprou uma casa no ponto mais alto da cidade porque sabia que um dia poderia um dia alagar”. As chuvas do último mês de maio atingiram 95% das cidades do estado gaúcho, incluindo Pelotas. “Se a gente usa o conhecimento a gente toma decisões mais inteligentes”, ressaltou.
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