A Editora Mostarda, do livro “Meninas Sonhadores, Mulher Cientistas”, repudia a retirada da obra das escolas pela Prefeitura de São José dos Campos (SJC).
Por meio de nota, a Mostarda defende que pontes para o diálogo nos processos educativos são fundamentais para a construção de uma sociedade mais consciente e tolerante.
“Repudiamos qualquer tipo de censura e defendemos que obras que promovem o pensamento crítico e o exercício da cidadania devem permanecer nas escolas, sem quaisquer impedimentos de ordem autoritária”, diz parte do comunicado publicado nas redes sociais.

Professores da rede pública municipal de ensino também se manifestaram contra a decisão da administração municipal.
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“Sou professora de uma dessas escolas que perdeu a oportunidade de continuar a trazer luz para muitas meninas, pretas e pobres que por vezes não têm expectativas de vida, mas podem ser inspiradas por um livro como este. Usei o meu acervo na semana do dia das mulheres, foi produtivo e gratificante. Agora, não tenho mais os livros a disposição, mas continuo meu trabalho com outras obras“, comentou Carla Maciel.
“Trabalho na rede municipal há 20 anos e neste momento, temos a gestão mais arbitrária e retrógrada que eu já vi. Não há diálogo, não há escuta, não há negociação! Às coisas vêm de forma vertical, sem esclarecimento algum. Muito triste!“, desabou Debora Perrenchelle.
Sobre o caso
Na última semana, a Secretaria de Educação informou a retirada do livro “Meninas Sonhadoras, Mulheres Cientistas” de todas as escolas, para que sua equipe técnica avaliasse o conteúdo.
O livro conta, por meio de poesias, histórias de sucesso e superação de 20 mulheres cientistas de diferentes áreas. A maioria das mulheres mencionadas são negras e brasileiras, mas também foram destacadas indígenas, brancas e estrangeiras.
A obra foi ainda tema levado à público pelo vereador Thomaz Henrique (PL), na Câmara de São José.
O parlamentar destacou que o livro, além de contar com retrato de Marielle Franco – vereadora e socióloga morta no Rio de Janeiro- ainda trata como referência Débora Diniz, ativista que é a favor da descriminalização do aborto.
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