Equilibrando a vida entre tesouras e passarelas é como George Onassis, cabeleireiro e transformista, tem vivido os últimos dias. No último sábado (1º), ele recebeu o título de Miss Gay Paraná, pelo concurso Miss Beleza Gay São Paulo e agora aguarda pela maior competição de beleza do país, o Miss Brasil Gay (MBG).
Como nem todos os estados brasileiros elegem a sua representante, a coordenação da vaga passa a ser de outra unidade federativa. Esse é o caso do Paraná. No concurso, quem vence por São Paulo, em primeiro lugar se torna representante do estado paulista e o segundo lugar, fica com a vaga do Sul.

Embora tenha conquistado recente título, a trajetória de George no mundo transformista começou em 2007, quando ganhou a faixa de Miss São José dos Campos.
“Logo depois venci o Miss Beleza Gay São Paulo, o que me trouxe a possibilidade de competir no Miss Brasil Gay”, relembra. “Naquele tempo eu era muito nova, inexperiente e não tive um bom desempenho, eu tinha o sonho (risos) mas não tinha noção da dimensão do que era o Miss Brasil Gay, serviu de experiência e depositou em mim o conhecimento do que eu precisava melhorar para estar apta a usar a coroa mais desejada do país”.
Após anos sem competir, estar entre os 27 transformistas mais bonitos do Brasil é como um sopro de alegria: “eu não sentia há muito tempo”, afirma o artista. A pausa na carreira foi necessária para que George conquistasse outras coisas na vida pessoal.
Durante esse tempo, ele se tornou um cabeleireiro e maquiador de sucesso em SJC. Há sete anos ele atende diversas personalidades da cidade no Dondoca Studio de Beleza, no Urbanova. Já com a vida estabilizada e com alguns procedimentos estéticos e cirurgias plásticas, ele se sente preparado para encarar as competições de beleza:
“Não se pode errar no Miss Brasil, tudo tem que ser perfeito e antes de me adequar e ter condições para tal nível de avaliação eu achei melhor não queimar a largada e competir sem tudo estar completamente alinhado para o resultado final que tanto ambiciono, a vitória”.
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Diversas versões em uma só pessoa
George compete dando vida à Aysha Ganzarolli por meio da arte do transformismo, que possui diversas vertentes, nuances e diferenças. Assim como ele explica, transformista é o ator que retrata uma linda mulher com glamour em sua totalidade, cabelos, vestidos, maquiagem de mulher, feminina e delicada.
Isso é diferente de ser drag queen, que em sua maioria retrata uma caricatura da mulher. “São exuberantes, com cabelos, roupas e maquiagens exageradas, é uma expressão artística bem mais ousada e elaborada”, explica. “Eu sou o George, artista que dá vida a Aysha. Eu sou ele e ela é ela. Sou do gênero masculino representando uma figura feminina, o gênero da Aysha é feminino”.
O lado artístico do cabeleireiro não se restringe somente às passarelas. Os talentos também chegam aos palcos. Além do MBG, ele também concorre a uma das vagas do KWC Brasil (Campeonato Mundial de Karaokê).
Competindo pela segunda vez, o artista diz estar mais treinado e confiante e ainda faz suspense para a seletiva nacional: “quanto a canção a ser entoada eu ainda estou estudando algo de impacto mas que esteja dentro da minha extensão vocal, será surpresa (risos)”.
O retorno para o mundo das competições só mostram a personalidade versátil de George, que tem como objetivo colaborar com a cultura.
“Me sinto profundamente realizada por estar dando continuidade ao grande sonho da minha vida. As expectativas são as melhores possíveis, depois dessa longa pausa na carreira, anos sem competir, voltar ao maior certame do Brasil já é uma grande vitória e agora mais experiente eu tenho certeza de que farei o meu melhor para finalmente trazer essa coroa para casa”.
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