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    Turismo

    Caminho da Mata Atlântica: jovem argentina percorre mais de 4 mil km a pé, com passagem pelo Litoral Norte

    21 de maio de 2024Updated:21 de maio de 2024Nenhum comentário6 Minutos de Leitura
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    Coragem para dar um passo de cada vez: é o que a argentina Julieta Santamaria precisa para percorrer o Caminho da Mata Atlântica. Atualmente em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, a jovem de 25 anos já percorreu 750 km de sua jornada que começou no mês de março na cidade de Santa Maria Madalena, no Rio de Janeiro. Até chegar ao fim de sua expedição, nos cânions de Cambará do Sul no Rio Grande do Sul, serão mais de 4.000 km a pé.

    Julieta Santamaria no Litoral Norte de SP; jovem argentina percorre Caminho da Mata Atlântica
    Julieta Santamaria no Litoral Norte de SP (Créditos: Arquivo pessoal)

    O Caminho da Mata Atlântica cruza a Serra do Mar, passando ao longo dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além de ter acesso a toda a beleza e diversidade do bioma, os aventureiros auxiliam na conservação e recuperação do ecossistema, e também  promovem o desenvolvimento econômico e valorização desse patrimônio natural e cultural.

    Julieta é natural de Burzaco, região metropolitana de Buenos Aires, e veio para o Brasil em fevereiro de 2023. Desde que chegou, fez viagens pelo país e, através do trabalho voluntário, passou oito meses em Ilhabela.

    Sabendo que isso era pouco para o que gostaria de viver, a jovem resolveu buscar por novas aventuras. A história, que mais parece com o roteiro de um filme, tem lhe trazido ensinamentos que serão levados para a vida. A reportagem do portal spriomais conversou com Julieta para saber como tem sido a experiência. Confira a entrevista abaixo: 

    Jovem argentina vai percorrer mais de 4 mil km pela Serra do Mar (Créditos: Arquivo pessoal)
    Caminho da Mata Atlântica cruza cinco estados brasileiros (Créditos: Arquivo pessoal)
    • Como surgiu a ideia de percorrer o Caminho da Mata Atlântica? 

    O Caminho da Mata Atlântica chegou a mim por meio de um amigo. Ele falou sobre essa trilha e eu senti uma emoção muito forte. Eu estava planejando sair de bicicleta até Jericoacoara e mudei de ideia sem duvidar. Vendi minha bicicleta pouco tempo depois, comecei a treinar fazendo caminhadas longas com ou sem mochila, saí com chuva, com sol, com frio. Quando ficou difícil ter tempo pra esses treinos comecei a correr, cheguei até os 10km diários. Muitas vezes pegava a bicicleta de manhã e nadava no meu lugar favorito de Ilhabela, que é onde morava nesse período. Qualquer esporte ou atividade que gerasse resistência foi bom pra mim.

    • Quais foram seus lugares favoritos até o momento? 

    Os lugares que mais gostei são a travessia Teresópolis – Petrópolis, o Pico do Frade, o Pico do Pão de Açúcar e o Pico na Pedra Dubois em Santa Maria Madalena. Acho que dá pra perceber que gosto de me perder nas montanhas [risos].

    • Quais são suas impressões sobre Ubatuba? 
    Ubatuba me surpreendeu com suas praias lindas, realmente não tinha muita noção e fiquei encantada. Ainda estou em Ubatuba, fiz a trilha das 28 praias na região sul e a trilha das 7 praias, de Fortaleza até Lagoinha. Vou subir pro pico do Corcovado por esses dias.
    • E na região do Vale do Paraíba, por quais locais já passou? 
    O Vale do Paraíba é grande, vou passar por Natividade da Serra, Paraibuna, Ilhabela, São Sebastião e Caraguatatuba. Já passei por Cunha e a pedra da Macela foi linda demais! Foi quase o fim de uma travessia de quatro dias, que foi um desafio, teve muita surpresa e muito estresse também [risos].
    • O que você já aprendeu nessa jornada? 
    Na verdade, a ansiedade é um inimigo nessa viagem. Tento não ficar ansiosa para chegar em lugar nenhum, e sim focar no local que estou cada dia, aproveitando o lugar mesmo, as pessoas que o lugar me apresenta, e me sentindo muito feliz porque cada dia é uma vitória pra mim, pra nós na verdade, porque tenho muitas pessoas que ficam felizes junto comigo e sou muito grata por isso. Hoje eu me vejo cumprindo um sonho, sabe? É uma coisa que venho pensando faz uns dias na minhas caminhadas.
    • Quando veio para o Brasil, imaginava que iria viver uma experiência como essa?
    Não imaginava que iria fazer o Caminho da Mata Atlântica, mas ao mesmo tempo, sinto que tudo o que tem acontecido me levou até o momento de resolver fazê-lo. Sempre gostei de viajar, de me aventurar nas montanhas, nas trilhas, só que não tinha com quem fazer e também não tinha muita grana pra viajar sozinha. Estou fazendo algo que gosto, algo no que sou boa mesmo sem ter muita experiência prévia e os caminhos se abrem pra continuar percorrendo a trilha da melhor forma possível, e isso é por causa das pessoas que ficam envoltas na minha jornada, porque escutam ou lêem sobre e querem ajudar de algum jeito. Também pela ajuda dos parceiros e voluntários do CMA [Caminho da Mata Atlântica], eles têm feito muita diferença, é algo que eu gosto de deixar claro e ter sempre presente, porque sem todos eles não teria sido o mesmo. Eu sempre disse que eu vou com o corpo, mas o caminho é feito por todos nós.
    • Que conselho você daria pra quem quer viver essa mesma experiência ou para encarar um sonho que está guardado há tempos no coração?

    Meu conselho é correr atrás do que se quer. Não é sobre não ter medo ou ser corajoso, é sobre acreditar em você, já que o foco é alcançar o que te faz feliz. Sem falhas, sem erros, sem perrengue, você não saberia o que é bom, o que é comemorar porque algo deu certo. O “ruim” também é aprendizado. Seja bom ou ruim, tudo te aproxima a isso que você quer. É sobre não desistir na primeira vez que ficou difícil. Falo isso porque no meu primeiro intento deu errado, e o que teria acontecido se tivesse desistido? Não estaria hoje onde estou, 750km na frente.

    • Você tem previsão de quando vai finalizar o Caminho?

    A gente acha que vou acabar em novembro, mas não tenho certeza, já que vou abraçando tudo o que acontece na caminhada. Se saio da rota como tem acontecido, se o clima não me deixa avançar (as chuvas aqui são complicadas) e assim… às vezes resolvo ficar mais dias num lugar só porque sinto que tenho que fazer isso [risos] e também vou prestando atenção ao meu corpo, se quero descansar, se quero seguir. Mas não tenho pressa, na verdade.

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