Coragem para dar um passo de cada vez: é o que a argentina Julieta Santamaria precisa para percorrer o Caminho da Mata Atlântica. Atualmente em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, a jovem de 25 anos já percorreu 750 km de sua jornada que começou no mês de março na cidade de Santa Maria Madalena, no Rio de Janeiro. Até chegar ao fim de sua expedição, nos cânions de Cambará do Sul no Rio Grande do Sul, serão mais de 4.000 km a pé.

O Caminho da Mata Atlântica cruza a Serra do Mar, passando ao longo dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além de ter acesso a toda a beleza e diversidade do bioma, os aventureiros auxiliam na conservação e recuperação do ecossistema, e também promovem o desenvolvimento econômico e valorização desse patrimônio natural e cultural.
Julieta é natural de Burzaco, região metropolitana de Buenos Aires, e veio para o Brasil em fevereiro de 2023. Desde que chegou, fez viagens pelo país e, através do trabalho voluntário, passou oito meses em Ilhabela.
Sabendo que isso era pouco para o que gostaria de viver, a jovem resolveu buscar por novas aventuras. A história, que mais parece com o roteiro de um filme, tem lhe trazido ensinamentos que serão levados para a vida. A reportagem do portal spriomais conversou com Julieta para saber como tem sido a experiência. Confira a entrevista abaixo:
- Como surgiu a ideia de percorrer o Caminho da Mata Atlântica?
O Caminho da Mata Atlântica chegou a mim por meio de um amigo. Ele falou sobre essa trilha e eu senti uma emoção muito forte. Eu estava planejando sair de bicicleta até Jericoacoara e mudei de ideia sem duvidar. Vendi minha bicicleta pouco tempo depois, comecei a treinar fazendo caminhadas longas com ou sem mochila, saí com chuva, com sol, com frio. Quando ficou difícil ter tempo pra esses treinos comecei a correr, cheguei até os 10km diários. Muitas vezes pegava a bicicleta de manhã e nadava no meu lugar favorito de Ilhabela, que é onde morava nesse período. Qualquer esporte ou atividade que gerasse resistência foi bom pra mim.
- Quais foram seus lugares favoritos até o momento?
Os lugares que mais gostei são a travessia Teresópolis – Petrópolis, o Pico do Frade, o Pico do Pão de Açúcar e o Pico na Pedra Dubois em Santa Maria Madalena. Acho que dá pra perceber que gosto de me perder nas montanhas [risos].
- Quais são suas impressões sobre Ubatuba?
- E na região do Vale do Paraíba, por quais locais já passou?
- O que você já aprendeu nessa jornada?
- Quando veio para o Brasil, imaginava que iria viver uma experiência como essa?
- Que conselho você daria pra quem quer viver essa mesma experiência ou para encarar um sonho que está guardado há tempos no coração?
Meu conselho é correr atrás do que se quer. Não é sobre não ter medo ou ser corajoso, é sobre acreditar em você, já que o foco é alcançar o que te faz feliz. Sem falhas, sem erros, sem perrengue, você não saberia o que é bom, o que é comemorar porque algo deu certo. O “ruim” também é aprendizado. Seja bom ou ruim, tudo te aproxima a isso que você quer. É sobre não desistir na primeira vez que ficou difícil. Falo isso porque no meu primeiro intento deu errado, e o que teria acontecido se tivesse desistido? Não estaria hoje onde estou, 750km na frente.
- Você tem previsão de quando vai finalizar o Caminho?
A gente acha que vou acabar em novembro, mas não tenho certeza, já que vou abraçando tudo o que acontece na caminhada. Se saio da rota como tem acontecido, se o clima não me deixa avançar (as chuvas aqui são complicadas) e assim… às vezes resolvo ficar mais dias num lugar só porque sinto que tenho que fazer isso [risos] e também vou prestando atenção ao meu corpo, se quero descansar, se quero seguir. Mas não tenho pressa, na verdade.

