Os veterinários voluntários, que saíram de Taubaté para auxiliar no resgate de animais após as enchentes no Rio Grande do Sul, voltaram para a cidade nesta terça-feira (14).
Eles foram para Canoas (RS) e integraram uma equipe de 40 pessoas, chefiada pela Defesa Civil de Taubaté na missão que durou três dias.
Veterinária de Pindamonhangaba, Natália Pena, acabou adotando a cadelinha Canoas, no resgate aos animais no RS (Créditos: Arquivo pessoal/ Natalia Pena)
O cenário encontrado na cidade assolada por enchentes desde o dia 29 de abril, é devastador. Por lá, já foram registrados 19.539 desabrigados e 19 mortos. Outras 17 pessoas seguem desaparecidas.
Muitos animais estão há dias esperando por resgate, com fome, sede e frio. Alguns não reconhecem nem os próprios donos e por isso, o trabalho dos veterinários é essencial para resgatá-los.
“O veterinário ia junto para tentar acalmar, a gente teve que, em algumas situações, usar o pulsar – um equipamento para pegar o animal sem chegar muito perto dele. Alguns animais precisaram ser sedados para poder serem retirados das suas casas, porque estavam muito ansiosos, muito nervosos”, relatou a veterinária Natália Pena em entrevista ao portal spriomais.
Após o resgate, os bichinhos são levados para galpões da ULBRA (Universidade Luterana do Brasil), onde mais de três mil pets recebem a assistência necessária.
Durante o dia, o resgate é na água e a noite, os atendimentos para restabelecer a saúde dos pets se concentra nos galpões. O radiologista veterinário Sérgio Martins relatou que o trabalho parece interminável:
” Todos esses dias, se dormimos três horas foi muito. A dimensão desse desastre é enorme, parecia infinito. Fizemos primeiros socorros, resgates, inúmeras suturas e cirurgias a noite toda“.
Em um dos dias de operação, a equipe chegou a resgatar 60 animais. Alguns não voltam para a família de origem e acabam disponíveis para adoção. Diante da oportunidade de dar um novo lar para três cãezinhos, os veterinários do Vale do Paraíba, Sérgio Martins, Israel Mazzoni e Natália Pena, não hesitaram.
Sérgio adotou uma vira-lata, que foi solta na porta do abrigo após ser salva da enchente no rio. O nome da cadelinha é Guria, termo utilizado pelo povo do sul para se referir a moça ou menina.
Já o doutor Israel, adotou a Piu, que passou por uma cirurgia de urgência, na qual o próprio atual tutor foi o anestesista. Por fim, Natália ficou com a Canoas, uma prognata- que tem uma malformação na boca- e não teria grandes chances de ser adotada por conta da deficiência.
“A minha menininha, Canoas, quando eu cheguei e bati o olho nela no primeiro dia, já me identifiquei e caso o dono não aparecesse, eu ia adotar ela. Então ela tá indo pra casa, vai ganhar uma família com outros sete irmãos. Cães, mais gatos, mais cavalo, mais passarinho, ela vai ter uma boa família”, se alegrou Natália.
Equipe de voluntários que saiu de Taubaté (Créditos: Divulgação/ PMT)
Apesar do regresso para Taubaté, a situação observada no RS ainda é preocupante, mas supreende a força do povo em meio a tanta dor.
“As chuvas continuam e a água continua subindo, são muitos animais que ainda precisam ser resgatados e milhares em abrigos. Mas o que me surpreendeu é o quanto o povo deles tem sede de recomeçar, muitos voluntários sem casa, de luto e dias e noite ajudando à todos no resgate e cuidando dos animais”, finaliza a cirurgiã veterinária Júlia Martins.
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