Problema que se arrasta há anos, a casa de acumuladores compulsivos na rua Crato no Parque Industrial, foi demolida na manhã desta quinta-feira (9), em São José dos Campos.
O trabalho envolveu diversos equipamentos públicos e o apoio da vizinhança, que já não aguentava mais a situação do imóvel, que servia de foco para criadouros do mosquito da dengue. O portal spriomais esteve no local e conversou com os vizinhos. Segundo eles, em três casas próximas, de um total de dez pessoas, nove tiveram a doença.

A limpeza e demolição da casa representam um alívio para Albertina Nunes Ferreira, que mora de frente com a residência.
“Tiraram sete toneladas de sujeira” comentou a vizinha sobre uma primeira ação realizada pela Prefeitura em 2021. “Agora tiraram mais dez caminhões de sujeira lá de dentro”.
Dona Albertina é uma das primeiras moradoras do quarteirão. Chegou há 50 anos e diz que desde que a família de acumuladores se mudou para o local, há relatos de descuido com a higiene. Hoje, aos 84 anos, a senhora diz que com o acúmulo de resíduos era comum a presença de animais peçonhentos: escorpiões, baratas, pernilongos e ratos que também transitavam pela vizinhança, inclusive, em sua própria casa.
“Os ratos andavam na calçada que nem gente”, relatou a moradora. “Eles dormiam dentro do meu carro ou no capô e ainda traziam comida”.
Outro morador também conta que encontrou cinco escorpiões em sua casa, onde também moram crianças.
O problema com o lixo se intensificou há cerca de 12 anos, quando um dos residentes saiu da ocupação do Pinheirinho e voltou a morar com a mãe. Com a mudança, também vieram muitos detritos. Nesse período, os vizinhos fizeram denúncias para a administração municipal.
Por decisão judicial, a Prefeitura conseguiu intervir na situação. Uma limpeza foi feita no dia 24 de abril, quando foram encontrados objetos como vestimentas, roupas de cama, sofás, geladeira, calçados, dejetos, entre outros. Os esforços duraram cerca de três dias e, na ação em que foi retirada 10 toneladas de lixo, a Defesa Civil constatou que o imóvel apresentava risco de queda, devido às inúmeras rachaduras. Diante disso, fez se necessário a demolição da casa.
De acordo com a Secretaria de Proteção ao Cidadão, o núcleo familiar é “extremamente vulnerável com comprometimento social, psíquico, emocional e de saúde física”. Na casa moram duas pessoas, uma delas aceitou ser acolhida em abrigo do município e o outra, preferiu ir para a casa de um amigo.
A Prefeitura também acompanha outros casos parecidos com esse e orienta que denúnicas de acumulação e locais que podem servir como criadouros para dengue podem ser feitas por meio do canal 156.
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