De uma ideia de presente para o companheiro a um negócio de sucesso. Há cinco anos, a advogada Julia Pedrosa trocou de profissão para viver o seu real propósito de vida deixar as pessoas felizes pelo trabalho de suas mãos. Ela saiu de um lugar em que não se sentia completa para a criação da Querida Cesta, empresa de cestas presenteáveis, com a qual fatura cerca de R$ 30 mil por mês.
“Quando eu olho para a minha carreira e vejo os lugares por onde passei dentro do direito, sinto que nunca me encaixei. Aquilo tudo já não fazia sentido para mim e hoje, tudo o que um dia eu critiquei na vida corporativa, eu tenho a chance de fazer diferente na minha empresa”.
No meio de 2019, ela foi desligada de uma empresa mesmo tendo recebido um feedback positivo dias antes. O choque pela notícia fez com que ela voltasse para a casa dos pais em São José dos Campos e tirasse um período sabático depois morar sete anos em São Paulo.
Julia Pedrosa, da Querida Cesta; marca produz cestas 100% personalizadas (Créditos: Querida Cesta)
Nesse tempo, Julia e o namorado Guilherme Fugagnoli – hoje noivo – completaram cinco anos de namoro e ela decidiu que daria uma cesta de presente para celebrar o momento. Como não encontrou nenhuma que fosse de seu agrado, resolveu montar por si própria. Comprou cervejas, amendoins, doces e um potinho de mensagens.
Buscando um novo rumo profissional, teve a ideia de montar um café estilo brunch com uma amiga, Laura. As duas queriam que o espaço fosse parecido com um que conheceram em Dublin, na Irlanda. Porém, o plano logo teve que ser desfeito, já que o valor de investimento era muito alto e uma oportunidade de trabalho surgiu para Laura.
Em meio a indecisão sobre o que fazer, Guilherme sugeriu que Julia vendesse as cestas. Foi assim que surgiu o primeiro trabalho da Querida Cesta, em 22 de novembro de 2019, com uma edição especial de Natal. O sucesso veio de cara: 100 cestas vendidas já no primeiro mês.
A cesta que deu origem ao grande negócio (Foto: Arquivo pessoal)
Com a chance de montar seu próprio negócio, ela buscou formas de aprender mais sobre empreendedorismo por meio do Empretec do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que é o principal programa de formação de empreendedores do mundo.
“Isso foi um divisor de águas. Acho que é muito importante ter uma visão de empreendedorismo para não cair na estatística do pequeno empreendedor que fecha o negócio em cinco anos. E em 2024 a empresa completa cinco anos, aumentando e prosperando!”.
O que Julia não contava era que no último dia de curso apareceria uma pandemia pela frente. Apesar do momento delicado, ela decidiu seguir em frente com o projeto tomando todos os cuidados, como uso de máscaras e álcool em gel. Isso foi o que alavancou o negócio.
No começo, a ideia era fazer cestas prontas com oito tipos. Mas a necessidade dos clientes fez com que Julia criasse as cestas 100% personalizadas, que vão de acordo com os gostos pessoais de quem vai receber o presente para qualquer tipo de data comemorativa, como aniversários, batizados, casamentos ou momentos delicados, como a perda de um ente querido.
O estoque é diverso: tem tábuas de corte, brinquedos infantis, cadernetas, lenços, velas, sabonetes, sapatinho de bebê, ursinho de pelúcia, itens de jardinagem, louças, sais de banho, flores até bebidas e comidas variadas. Para os casos em que o produto não está disponível, a equipe da Querida Cesta vai atrás. O valor das cestas começa em R$ 150, mas pode variar conforme a imaginação e disposição financeira do cliente.
“Para mim, é extremamente significante fazer parte da vida das pessoas. Eu me sinto completamente realizada, porque o que eu faço deixa o dia do outro mais feliz e acolhedor. Quem ganha costuma falar ‘essa pessoa pensou em mim, ela colocou tudo o que eu gosto’. Isso é muito legal!”.
Atualmente, são produzidas em média 100 cestas por mês, divididas entre pessoas físicas e o setor corporativo, que é a aposta do negócio. Já fazem parte da cartela de clientes mais de 50 clientes corporativos, entre eles, grandes empresas como a Embraer, Ambev e a Jonhson&Johnson. Além de São José, a marca também teve a oportunidade de expandir para São Paulo, onde Julia divide a rotina.
Enquanto cria boas memórias para quem recebe uma cesta de presente, a Julia também resgata suas lembranças quando entra no estúdio de confecção da Querida Cesta, pois o local um dia foi a casa de sua avó.
As transformações na vida e na residência também chegaram na colaboradora Daniele Sesso. Com emoção, ela conta que trabalhou por três anos no terceiro turno na copa do GACC (Grupo de Assistência à Criança com Câncer) , mas sentia a vontade de voltar a trabalhar durante o dia. Ao chegar na equipe, Dani diz que sente que sua vida foi transformada:
“Eu saí de um lugar que era muito triste, mas com o sentimento de dever cumprido. Hoje a gente celebra um nascimento, um aniversário, coisas bonitas. Eu trabalho com felicidade, por isso, sou mais feliz hoje e quero levar isso para as pessoas”, conta.
O sentimento é compartilhado pela fundadora da marca:
“Além de fazer cestas, hoje presto consultoria para mulheres que querem trabalhar na área e sinto prazer com o que eu faço”, finaliza.
Júlia Pedrosa e Daniele Sesso (Créditos: Querida Cesta)
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