A Embraer divulgou nesta segunda-feira (18) os resultados do 4º trimestre e do ano de 2023 (4T23). Segundo o relatório, a empresa brasileira registrou lucro líquido ajustado de R$ 350,6 milhões, um aumento de 55% se comparado ao lucro de R$226,2 milhões do mesmo período do ano passado. Os dados são resultados da forte demanda da indústria.
A carteira de pedidos firmes da Embraer encerrou o 4T23 em US$ 18,7 bilhões, o maior volume registrado nos últimos 6 anos. Foram entregues 75 jatos, sendo 25 aeronaves comerciais, 49 jatos executivos (30 leves e 19 médios) e 1 C-390 militar.
De outubro a dezembro, considerando o resultado atribuído aos acionistas, a empresa registrou lucro de R$ 943,6 milhões, frente ao lucro de R$ 119,2 milhões reportados no quarto trimestre de 2022. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 1,377 bilhão, representando alta ante os R$ 1,070 bilhão no mesmo período de 2022.

Todas as unidades de negócios tiveram crescimento nas receitas e volumes em relação ao ano anterior. Destaque para Defesa & Segurança, com crescimento de 21%, seguida
pela Aviação Comercial, com 15%. A Aviação Executiva e a Aviação Comercial registraram book-to-bill (relação entre as ordens recebidas e o valor faturado) superior a 1:1. O backlog (acúmulo de trabalho num determinado intervalo de tempo) da Embraer Serviços & Suporte atingiu o valor mais alto desde 2017, encerrando o ano em US$3,1 bilhões.
Em tempo, em 2023, a Embraer entregou um total de 181 jatos, dos quais 64 foram aeronaves comerciais, 115 jatos executivos (74 leves e 41 médios) e 2 C-390 militares, ou seja, um aumento de 13% na comparação com os 160 jatos em 2022. Mas esse resultado poderia ser melhor, se não fossem os desafios enfrentados na cadeia de suprimentos.
Ao fim do ano, a empresa tinha uma dívida líquida de R$ 2,74 bilhões, queda de 27% na comparação anual.
Entregas de 2023
A receita consolidada de R$26,1 bilhões em 2023 representou um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Todas as unidades de negócio tiveram expansão nas receitas: Defesa & Segurança (21%), Aviação Comercial (15%), Aviação Executiva (8%) e Serviços & Suporte (8%). A receita total ficou dentro da faixa das estimativas de US$5,2 a US$5,7 bilhões para o ano.
A Aviação Executiva teve receitas que atingiram R$6,9 bilhões, 8% a mais do que no mesmo período do ano anterior. O crescimento se deve principalmente a um aumento nos volumes. A margem bruta caiu de 23,4% para 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, devido ao mix de produtos (proporcionalmente mais jatos médios do que jatos leves) e benefícios fiscais não recorrentes.
A Defesa & Segurança atingiu uma receita de R$2,6 bilhões, valor 21% maior em relação a 2022, impulsionada por maiores volumes de C-390. A margem bruta reportada foi de 20,8% em 2022, versus 16,7% em 2023. O resultado na margem bruta deveu-se ao mix de produtos e a revisão de linha de base dos contratos atuais, de acordo com a metodologia de cálculo da porcentagem de conclusão (POC).
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A Aviação Comercial apresentou receitas de R$9,1 bilhões, 15% superior ao ano anterior, em virtude do maior número de entregas e do mix de produtos. A margem bruta reportada diminuiu de 10,4% em 2022 para 8,0% em 2023 devido a variação do mix de produtos, frete mais alto (ramp-up das estruturas E2) e benefícios fiscais não-recorrentes.
E a área de Serviços & Suporte expandiu a receita para R$7,1 bilhões, valor 8% maior em relação ao ano anterior. A expansão da unidade de negócios se deve principalmente ao crescimento do segmento. A margem bruta reportada de 28,0% em 2022 diminuiu para 26,7% em 2023 devido ao mix de serviços, com maior contribuição de MRO (Manutenção, Reparo e Revisão, na sigla em inglês) e benefícios fiscais não-recorrentes.
Estimativas para 2024
Devem ser entregues neste ano, entre 72 e 80 aeronaves da aviação comercial e entre 125 e 135 da aviação executiva. A receita total da empresa deve ficar entre US$6,0 e US$6,4 bilhões, com margem EBIT ajustada entre 6,5% e 7,5% e fluxo de caixa livre ajustado de US$220 milhões ou maior para o ano.
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