João amava Teresa que amava Raimundo, que amava Maria que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém.
Esse poema, “Quadrilha”, publicado em 1930 na primeira obra de Carlos Drummond de Andrade, “Alguma Poesia”, ilustra bem essa dança de pares trocados e amores não correspondidos travada na seara política de São José Campos, em torno dos possíveis candidatos a prefeito nas eleições de outubro.
O prefeito Anderson Farias (PSD) praticamente joga parado, respaldado por um governo bem avaliado, de olho no eleitorado conservador e à espera dos acordos costurados, no andar de cima, por Gilberto Kassab.

Quem também está de olho no andar de cima é a deputada estadual Letícia Aguiar, que lançou a sua candidatura a prefeita pelo seu partido, o Progressitas, mas contando com um apoio eventual do PL e de Jair Bolsonaro. O ex-presidente, por sua vez, “espinafra” Kassab em vídeos e trabalha para levar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o PL.
Para colocar um pouco mais de tempero nessa mistura, o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, cita o ex-prefeito Eduardo Cury como potencial candidato a prefeito de São José dos Campos, seja pelo PL, seja pelo PSDB, com apoio do PL. Sai macuco desse borná?
Os aliados de Anderson e Felício duvidam. Segundo eles, caso Cury vá para o PL, ele perde dois dos principais argumentos usados para criticar a ida dos ex-tucanos joseenses para o PSD: a troca de partido para viabilizar uma candidatura e a aliança com uma “raposa política”.
Leia também: Ser ou não ser?
Além disso, Cury teria, como deputado, um histórico de votações contrárias a questões muito importantes ao bolsonarismo, como o voto impresso. Mas, não custa lembrar que Cury trabalha ao lado do senador Rogério Marinho (PL), um dos principais nomes do espectro conservador. É uma salada-russa, que fica cada vez mais complicada: Cury ainda nem decidiu se entra na briga, seja pelo PSDB, seja pelo PL.
Ufa, essa lista ficou maior que a de Drummond. Como tudo vai acabar?
No poema, João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história.
No enredo político, podemos ter um final parecido, com um “outsider” surgindo por fora? Duvido. Mas muita coisa vai ser clareada com a decisão de Tarcísio de trocar ou não o Republicanos pelo PL.
O PL hoje é o único partido com estrutura para dar sustentação a uma candidatura de oposição em São José dos Campos. Se tudo virar uma coisa só, é bem provável que Anderson esteja com o bilhete premiado no bolso. Mas, isso a gente vai saber só em 6 de outubro.
Segue o baile…
Acompanhe também: