O piloto do helicóptero que desapareceu no último domingo (31) foi identificado como Cassiano Tete Teodoro. Segundo informado pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), ele não tinha permissão para realizar voos comerciais de passageiros. Confira a nota abaixo.
Teodoro foi cassado de sua licença para voar por dois anos, entre 2021 e 2023. Embora tenha conseguido uma nova licença com habilitação para Piloto Privado de Helicóptero, ele não tinha permissão para realizar táxi-aéreo.

As investigações contra o piloto aconteceram devido a voos irregulares. Uma delas foi um pouso de emergência de um helicóptero no terraço de um prédio na Avenida Faria Lima, na capital paulista.
De acordo com registros do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáutivos (Seripa IV), a aeronave sofreu uma falha mecânica. Na ocasião, o helicóptero apresentou uma tendência de giro involuntário para a esquerda, seguido de perda de sustenção.
Entenda a cassação
Além disso, de acordo com a ANAC, em julho de 2019 ele foi investigado por haver indícios de prestação de serviço irregular de taxi-aéreo, pois Cassiano não tinha autorização legal para oferecer voos remunerados.
Na ocasião, ele teria jogado a aeronave que pilotava contra um servidor da Agência, que realizava a fiscalização no Campo de Marte. No entanto, segundo a advogada de Teodoro, Érica Zandoná, a “suposta irregularidade” foi uma confusão.
Conforme um documento enviado pela defesa “no momento em que estava realizando o procedimento de taxi, surgiram duas pessoas, sem qualquer identificação visível, acenando para o Piloto. Destaca-se que ausência de colete indicativo da ANAC dificultaria o reconhecimento, uma vez que apenas um crachá ou algo que o valha, não seria adequadamente visualizado pelo piloto, que estava ocupando o cockpit da aeronave”.
Ainda segundo a nota, o temor por um acidente fez com que o piloto optasse pela decolagem, pois já tinha autorização da Torre de Controle para voar. Só depois disso ele veio a saber que eram servidores da ANAC, que estavam no local para cumprimento da fiscalização.
Com a tentativa de abordagem frustrada, foi alegado que o piloto “supostamente desobedeceu a ordem de detenção para inspeção de rampa e evadiu-se da fiscalização”.
Por conta disso, Cassiano foi condenado a uma multa no valor de R$ 2.100 como sanção administrativa e tomou suspensão por 60 dias do Certificado de Habilitação Técnica (CHT), posteriormente transformada em cassação.
Desaparecimento do helicóptero
O helicóptero do modelo Robinson 44 (cinza e preto) que Cassiano pilotava desapareceu no último domingo (31). Ele, outras três pessoas e a arenonave, não foram encontrados até o momento da publicação desta matéria.
Os passageiros da aeronave são Luciana Rodzewics de 45 anos, sua filha Letícia Ayumi Rodzewics Sakumoto, de 20 anos e Rafael Torres, amigos das duas.
Eles saíram do Campo de Marte em São Paulo, às 13h15 e perderam o contato com a torre de comando às 15h15, sobrevoando Caraguatatuba. Às 22h40 foi gerado um alerta para o Comando de Aviação e para o Corpo de Bombeiros, para uma possível queda de helicóptero e no dia 1º foi dado início as buscas.
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Nota da ANAC
Leia, na íntegra, nota da ANAC sobre o helicóptero desaparecido e o piloto, Cassiano Tete Teodoro:
Em primeiro lugar, a ANAC informa que até o momento não recebeu nenhum informação do Comando da Aeronáutica, órgão responsável pela confirmação da eventual ocorrência envolvendo o helicóptero de matrícula PR-HDB.
Contudo, em relação à citada aeronave, consta no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) que o helicóptero se encontra em situação normal de aeronavegabilidade, conforme registro em anexo, sem permissão para realização de serviço de táxi-aéreo.
Em relação ao piloto Cassiano Tete Teodoro, reforçando que a ANAC não dispõe de confirmação de sua presença como piloto em comando do voo, informamos que o piloto teve sua licença e todas as habilitações sumariamente cassadas pela Agência em 15 de setembro de 2021 por condutas infracionais graves à segurança da aviação civil. Na ocasião, o piloto recorreu à Justiça, que manteve a decisão da ANAC.
Cassiano Tete Teodoro foi cassado em decorrência, entre outros motivos, de evasão de fiscalização, fraudes em planos de voos e práticas envolvendo transporte aéreo clandestino.
Em outubro de 2023, após observar prazo máximo legal para a penalidade administrativa de cassação, que é dois anos, o piloto retornou ao sistema de aviação civil ao obter nova licença com habilitação para Piloto Privado de Helicóptero (PPH). Essa licença não dá autorização para realização de voos comerciais de passageiros.
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