Gases, náuseas, cólicas intestinais: ingerir alguns alimentos e sentir esses ou outros sintomas logo após de comer, pode indicar que talvez você tenha um tipo de restrição alimentar.
Por conta disso, pacientes com o diagnóstico de alergia ou intolerância alimentar e até mesmo que não podem fazer consumo de determinados produtos alimentícios devido a transtornos e doenças, buscam adequar-se a uma nova dieta.

“Cerca de dez anos atrás comecei a ter uma sensibilidade ao comer certos tipos de alimento. Essas reações foram piorando e tive uma crise intestinal que durou mais de 20 dias com diarreia, náuseas, cólicas intestinais terríveis e manchas na pele”. O relato de Priscila Tertuliano, estudante de administração, não é incomum entre pessoas que se descobrem com intolerância alimentar.
Priscila foi diagnosticada com intolerância à lactose há cerca de 10 anos, mesmo assim, com mudança na dieta os sintomas persistiram. Foi assim que um tempo depois ela também descobriu que possui intolerância ao glúten.
Até receber os resultados dos exames, ela enfrentou um caminho difícil, sofrendo com dores intensas e perda severa de peso. Após o diagnóstico, a moça teve que readaptar toda a sua alimentação, inclusive, ao sair para comer fora de casa.
Quem tem restrição alimentar come o quê?
As pessoas que possuem algum tipo de restrição alimentar precisam readequar toda a dieta para que não falte nutrientes ou tenham um mal estar.
Essa adequação se chama alimentação inclusiva, que tem como objetivo oferecer uma variedade de opções de ingredientes para intolerantes alimentares. Aliás, essas mudanças no cardápio podem ser feitas em casa, assim como recomenda a nutricionista Mônica Stockler:
“Para intolerantes à lactose, há a possibilidade de substituir os latícinios por versões sem lactose ou usar leites vegetais no preparo de receitas. Outra opção é tomar a enzima lactase antes das refeições que contenham o açúcar presente no leite e seus derivados”, conta Mônica. “Mas para os celíacos, que pode ser realizada a troca da farinha de trigo por farinha de arroz integral ou de linhaça”.

Além disso, a alimentação inclusiva também busca adequar o cardápio dos estabelecimentos para pessoas com restrição alimentar. O propósito é que haja opções para todos, de maneira que ninguém deixe de comer algo ou frequentar algum ambiente por causa da falta de alternativas.
Troca de alimentos deve ser feita com cuidado
Para elaborar um plano alimentar é necessário o acompanhamento de um profissional, é ele o responsável por coordenar uma conduta dietoterápica.
A nutricionista explica que o acompanhamento é essencial, já que cada caso é único. Até porque existem diferenças entre ser intolerante, alérgico ou ser portador de doenças como diabetes, gastrite, hipertensão, obesidade, entre outros.
“A alergia tem uma resposta imunológica, que pode trazer exclusivamente um sintoma respiratório”, exemplifica Mônica. “Existem casos de celíacos que tem crise de diarreia, mal estar, queda de imunidade, perda de peso e grande desconforto gastrointestinal. Um dos principais sintomas no caso de intolerância é a urgência para evacuar, mas isso também pode acontecer com pessoas que estão com problemas gastrointestinais”.
Ela ainda reforça a importância de fazer os check-ups com médico e nutricionista para se ter um diagnóstico bem feito.
Chef abre negócio devido à restrição alimentar
Devido à uma necessidade pessoal, Ariadne Luz, chef e empreendedora, abriu um negócio voltado ao público que sofre algum tipo de restrição alimentar em São José dos Campos e em Jacareí.
“Meu diagnóstico para celíaca deu negativo, mas percebi que retirar produtos com glúten da minha alimentação amenizou sintomas como prisão de ventre, flatulência, refluxo, muito mal estar e problemas de pele”, diz a confeiteira.
Apaixonada por pães e bolos, ela conta que pensava que não era possível viver com uma dieta restrita somente a ovo, tapioca e farelo de aveia para o resto da vida. Assim, com anos de aprendizados, nasceu a Fouet de Luz, serviço especializado na venda de alimentos sem glúten, sem lactose e lowcarb.
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Desafio para empreendedores
A chef ressalta uma dificuldade dos empreendedores do setor alimentício que é adequar os cardápios para atender ao púbico com dieta restrita. Isso porque existe o perigo da contaminação cruzada, ou seja, é necessário que tudo seja preparado de forma separada e com novos materiais.
Já que se forem preparados nos mesmos recipientes, a saúde dos clientes pode ser colocada em risco. “Foi pensando nisso tudo que eu resolvi externar o meu conhecimento, para reconectar essas pessas e mostrar que a vida sem glúten não é ruim e sim saborosa e saudável”, finaliza Ariadne.
O comentário de Ariadne se refere ao isolamento por parte das pessoas que não têm uma opção artesanal no cardápio, devido ao baixo número de estabelecimentos que atendem a alimentação inclusiva.
Mas o apoio por parte da sociedade também vem por outros lados, como por exemplo, o grupo Celíacos do Vale do Paraíba e Região, que tem como propósito unir esse público e, assim, tornar essa jornada alimentar um pouco mais leve.
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