Após viver durante nove anos com um nódulo benigno nas mamas, o surgimento de outro e o diagnóstico do inesperado: um câncer. Essa é a história de Luzia de Carvalho, de São José dos Campos.
Um nódulo benigno não pode se tornar maligno, mas pode atrair a presença de outros nódulos e foi isso o que aconteceu com Luzia. No caso dela, o caroço inofensivo descoberto em uma consulta de rotina cresceu, de modo que passou a incomodá-la em atividades do cotidiano como deitar-se de bruços, por exemplo.
A partir deste momento, houve a necessidade de realizar uma cirurgia. Todos os exames pré-operatórios foram feitos e logo o procedimento cirúrgico aconteceu. Foi um sucesso, mas o que a mulher ainda não sabia, era que junto do nódulo benigno estava também o maligno.
Essa descoberta foi na consulta pós- cirurgia. “Foi um choque pra mim, porque eu vinha acompanhando o nódulo e sempre dava benigno em todos os exames”, relata a paciente.

Na saída do consultório, Luzia decidiu como gostaria de encarar a doença: com positividade. A decisão veio por inspiração, após encontrar na recepção da unidade, um colega que passava pelo tratamento de um câncer no intestino mas ainda assim demonstrava muita confiança.”Em momento nenhum eu tive medo, sempre fui muito confiante, com pensamento positivo e muita fé”, afirma a mulher.
Por meio de mais exames, foi identificado o tipo de tratamento contra o câncer de mama que a paciente deveria fazer. Devido a cirurgia, o tratamento de quimioterapia, em que medicamentos potentes são utilizados para destruir células do corpo que estejam doentes, não foi uma opção.
A recomendação médica foi a radioterapia, procedimento que faz uso de radiações ionizantes para destruir as células cancerígenas ou impedir que elas se multipliquem. Foram feitas 15 sessões, que duraram o período de um mês com idas e vindas de São José a Guarulhos, por conta de um problema no convênio, que fez com que esse deslocamento fosse necessário.
Além da coragem, Luzia contou ainda com apoio da família: marido, dois filhos, irmãs e a mãe deram suporte se fazendo ainda mais presentes. “Eu pedi para eles não sentirem pena de mim, mas para que ficassem fortes comigo”, conta.

Em setembro a radioterapia foi concluída, mas o tratamento ainda não terminou. A paciente ainda irá precisa tomar um comprimido por dia durante cinco anos para não ter a chance das células cancerígenas voltarem.
Agora, a mulher segue feliz, alegre e forte, com ainda mais impulso para viver. ” Continuo em tratamento, mas como a minha cabeça bem tranquila, o meu coração calmo e bastante apoio da minha família. A vida é curta e a gente não pode deixar de viver, de passear, de viajar, de rezar, de estar em contato com Deus, porque Ele é tudo”.
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Câncer de mama no Brasil
De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres e corresponde a cerca de 28% dos novos casos da doença no sexo feminino no Brasil. Após os 50 anos de idade, o risco de incidência aumenta progressivamente.
O principal sinal da doença é o aparecimento de nódulo, que pode ser indolor, duro e irregular ou então esférico e bem definido.
Além disso, outros sinais que apontam para a doença são: Retração no mamilo, aumento na circulação sanguínea nas mamas, descamação e ferimento no mamilo ou secreção na área.
Infelizmente, a doença não tem motivos concretos para acometer um (a) paciente, porém, algumas fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Segundo o Ministério da Saúde, excesso de peso, falta de atividade física e consumo de bebidas alcoólicas são pontos de risco.
A descoberta precoce do câncer de mama no entanto, contribui para reduzir o avanço da doença , que pode levar a morte.
O autoexame é um dos procedimentos mais conhecidos como forma de prevenção, mas segundo a médica oncologista Rima Jubli, o que realmente auxilia na baixa da mortalidade é a mamografia. “A gente precisa mudar um pouco esse conceito de autoexame, porque ele não baixa a mortalidade do câncer de mama. O exame que baixa a mortalidade e faz o diagnóstico precoce é a mamografia”, explica a doutora.
Pela Sociedade Brasileira de Mastologia, o exame de mamografia é recomendado para mulheres com idade a partir de 40 anos. O procedimento deve ser realizado anualmente.
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