Quem mora na região de São José dos Campos e gosta de acompanhar os eventos culturais na cidade certamente teve que organizar bem a agenda para aproveitar ao máximo o que rolou por aqui no último final de semana.
São José esteve pulsante, mais colorida e com muitas vibrações, vindas da música, da literatura e da arte. Em apenas três dias a cidade abrigou com sucesso três eventos de grande porte: a FLIM (Festa Literomusical), o Festival Internacional Flamenco e o show em comemoração aos 50 anos de carreira da cantora Alcione.
O Portal SP RIO+, abraçando a cultura no Vale do Paraíba, apoiou cada um deles com seu jornalismo.

A cidade mal se despediu dos mais de 500 pesquisadores e estudiosos estrangeiros que passaram cerca de dois meses por aqui para o SSP23 (Space Studies Program) e já mostrou por que vive uma dinâmica diferente atualmente. E os joseenses seguindo esse ritmo.
São José é interior, mas tem se comportado como metrópole. E não é apenas pelas grandes indústrias e o setor aeroespacial super desenvolvido. A população tem estado mais ativa, mas consumindo produtos locais, dando valor ao que nasce em solo joseense. E em muitas ocasiões quando consome coisas de fora, elas são trazidas para cá.
Algumas vezes comendo só pelas beiradas, a cultura tem retomado um certo protagonismo nesse processo. Num período de 11 dias entre o final de agosto e o início de setembro os joseenses e vizinhos puderam conferir 50 espetáculos teatrais gratuitos pelo circuito do Festivale (Festival de Teatro do Vale do Paraíba), realizado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo.
O festival contou ainda com uma grande exposição fotográfica de Bob Sousa, fotógrafo paulistano especialista na fotografia teatral.
O último final de semana
FLIM
Sem dar respiros, essa onda da cultura ganhou mais alguns pés no último final de semana. Também nascida da Fundação Cultural Cassiano Ricardo e tradicional na região, a FLIM (Festa Literomusical de São José dos Campos) juntou muita gente para falar e ouvir de amor no Parque Vicentina Aranha.
Mesmo na sexta-feira (15), dia da abertura, que costuma ser mais morna, essa nona edição da festa, organizada pela AFAC (Associação para Fomento da Arte e Cultura), já fez barulho. A grande atração foi uma mesa literária durante a noite com a participação de Renato Nogueira, escritor que possui pesquisas na área de filosofias africanas e indígenas, e Juliana Borges, escritora e cofundadora da Articulação Interamericana de Mulheres Negras na Justiça Criminal – Núcleo Brasil.
Os dois dissertaram sobre o amor especialmente sobre a ótica da escritora norte-americana Bell Hooks e trouxeram reflexões sobre a composição do “amar” para o público, que não deixou cadeiras vazias para assisti-los.
No sábado (16), entre diversas atrações, vale destacar o lançamento de um novo volume da Coleção Cadernos de Folclore, o “Congadas e Moçambique no Vale do Paraíba Paulista”, pelo Museu do Folclore. O lançamento foi bastante animado e teve a congada extrapolando as páginas do livro com apresentações cheias de vida de dois grupos locais na feira.
Ainda no sábado, uma mesa literária especial celebrou os 100 anos da entrada de Cassiano Ricardo na imprensa profissional, ao ingressar como redator no jornal Correio Paulistano. A atividade também foi parte da Semana Cassiano Ricardo, neste ano incorporada à FLIM.
A mesa contou com as participações do professor Ivan Marques e do compositor Zé Katimba, que compôs em 1972 o samba-enredo “Martim Cererê”, baseado em um poema do escritor modernista.
Para encerrar a festa, o clima de sol e calor visto em todo o final de semana se manteve no domingo (17). Dentro do parque as atrações continuaram em alto astral e foram marcadas por um show bonito do Duo Avuá, que apresentou um jeito novo da MPB.
A mesa literária “Toda maneira de amor vale amar, com mediação da dragqueen Rita Von Hunt, extrapolou qualquer previsão do público, que procurou espaço para assistir a conversa com o escritor João Silvério Trevisan e a psicóloga e ativista guarani Geni Núñez.
Do lado de fora do Vicentina, a avenida engenheiro Prudente Meireles de Morais, fechada para o evento, virou o Calçadão da Rua 7. Foram muitas as famílias curtindo o clima de verão com música, brincadeiras para as crianças e barraquinhas de bebida e comida.

Festival Internacional Flamenco
Se na FLIM muito da cultura local pôde ser visto, no Festival Internacional Flamenco o público foi transportado à Andaluzia, no Sul da Espanha.
Foram dois dias de evento, sábado (16) e domingo (17), com atividades espalhadas em diferentes locais da cidade e a participação de artistas flamencos vindos de diferentes lugares do Brasil, além da Espanha, claro.
A cultura flamenca, carregada de movimento e conhecida pela intensidade e o som das castanholas, foi apresentada de muitas maneiras em São José pela 18ª vez.
Ao longo do festival tiveram mostras e espetáculos de dança, workshops com aulas e até uma charla – para nós, o famoso bate-papo – com Farruquito, bailaor espanhol que se apresentou no último dia de festa e é uma das grandes referências mundiais no flamenco.

50 anos de Alcione nos palcos
Vinda de uma cirurgia no quadril, ainda que com algumas limitações a cantora Alcione trouxe a turnê que celebra os seus 50 anos de carreira para São José no último sábado (16).
Para um bom público na Farma Conde Arena – que tem sido palco para grandes artistas nos últimos meses -, a Marrom apresentou seus clássicos com um glamour e uma voz que parece não ter perdido sua força e capacidade de preencher os espaços.
O show teve abertura do Grupo Fundo de Quintal, que esquentou a plateia com um repertório de samba contagiante. “O Show Tem que Continuar” abriu os trabalhos, enquanto “Vou Festejar” foi cantada aos gritos pouco antes do grupo entregar o palco para Alcione.
De modo geral, o show da Marrom foi rápido (durou cerca de uma hora) mas teve charme. Sentada por toda a apresentação numa cadeira que bem podia ser chamada de trono, a cantora conseguiu empolgar e deixar o público de pé sambando – especialmente as senhorinhas com leque abanando nas mãos.
Além disso, também teve emoção. No meio da apresentação, Alcione chamou rapidamente sua sobrinha, a cantora Sylvia Nazareth, para fazer um dueto de “Separação”. O momento rendeu grandes aplausos do público.

Capital Cultural de SP
O momento que vive a cultura em São José não podia ser melhor e isso é reconhecido. Em 2022, pelo terceiro ano consecutivo a cidade foi reconhecida como Capital Cultural de São Paulo, integrando a Rede de Capitais Culturais do estado.
O título foi fruto de uma seleção, por edital, e participação da Prefeitura na Virada SP – uma maratona cultural de multilinguagem com quase 30 horas de programação realizada na cidade em novembro do ano passado.
E tem mais: São José recebe festival internacional de documentários musicais a partir desta semana
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