O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou uma proposta de nova classificação dos espaços do território nacional após uma investigação experimental utilizando dados do Censo Demográfico de 2010 e outras fontes.
Essa proposta, divulgada em 16 de agosto, reestrutura as categorias de “urbano” e “rural”, já em uso, ao mesmo tempo que introduz uma terceira categoria, denominada “natureza”.

Considerado experimental, o estudo do IBGE é de caráter exploratório. Seu propósito é fomentar discussões acadêmicas e institucionais sobre as características que definem as áreas rurais, urbanas e naturais do país. Uma investigação mais aprofundada será conduzida posteriormente com base nos dados do Censo 2022, cujos resultados começaram a ser divulgados em junho.
A classificação dos diferentes espaços no território nacional é crucial para fornecer um quadro de referência que possa orientar planejamentos territoriais no Brasil. Além disso, essa classificação é fundamental para a formulação de políticas públicas e privadas, além de servir como base conceitual para pesquisas relacionadas.
De acordo com a nova proposta do IBGE, as três categorias (urbano, rural e natureza) são subdivididas em 16 tipos distintos. Quatro desses tipos são considerados tipicamente urbanos, outros quatro são rurais e outros quatro são naturais. Os quatro restantes representam áreas de transição que podem misturar características das duas ou das três categorias.
Nova alternativa
Maria Monica O’Neill, geógrafa e gerente de Regionalização e Topologias do Território do IBGE, enfatiza que o objetivo do estudo não é substituir a classificação atual, mas sim proporcionar uma alternativa que possa complementá-la. Segundo ela, a classificação atual desempenha um papel importante na divulgação de dados de pesquisas e na garantia da comparabilidade temporal.
A introdução da categoria “natureza” busca, principalmente, abordar a dicotomia rural-urbano, um tema em debate entre geógrafos. As áreas naturais são categorizadas, de fato, de variadas maneiras na classificação rural. A proposta experimental busca contornar essa limitação, reconhecendo as áreas naturais como uma categoria própria.
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O estudo também sugere uma abordagem a nível municipal, utilizando uma classificação por área de ponderação, que considera um recorte territorial menor que o município. De acordo com essa abordagem, espaços com grau de urbanização entre 75% e 100% são enquadrados como “áreas urbanas principais das grandes e médias concentrações urbanas”.
Aliás, a nova classificação também identificou mudanças territoriais, incluindo o avanço da fronteira agrícola em determinadas regiões. Essa proposta, ainda experimental, abre um cenário para futuras discussões e análises no campo da geografia e planejamento territorial no Brasil.
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