A meliponicultura, criação de abelhas sem ferrão, surgiu ainda durante a infância na vida do joseense Reginaldo Silva, de 47 anos.
O morador do bairro Palmeiras de São José em São José dos Campos tinha 12 anos quando viu seu pai retirar uma colmeia de abelhas Jataí de uma propriedade para que fosse feita a construção de um cômodo. O ninho de abelhas foi colocado em uma caixa e entregue a um amigo da família.

Na ocasião, Reginaldo pôde ainda experimentar um pouco de mel. E então o contato com as abelhas se tornou cada vez mais frequente devido ao pai, que manuseou o inseto e influenciou os filhos.
“A gente sempre via essas abelhas por aí, às vezes andando com ele [o pai] no caminho, antigamente aqui aonde a gente mora era só mato e então, andando por aí ele via essas abelhas e falava, mas quando ele falava a gente não dava tanta atenção”, recordou o atualmente, meliponicultor.
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Após 25 anos do primeiro contato com um ninho de abelhas, Reginaldo começou a trabalhar como artesão no andar de cima de sua casa. Com um forte gosto pelas plantas, ele resolveu plantar flores próximo à oficina de artesanato e nisso, elas foram atraídas para mais perto.”Eu já sabia da importância dessas abelhas para a natureza, da questão ecológica do trabalho de polinização que envolve alimentação, biomas e preservação, pois as abelhas já vêm diminuindo há um bom tempo”, conta.
Ciente da necessidade das abelhas para a vida na terra, ao perceber a presença constante dos insetos, Reginaldo enxergou a oportunidade de criar um meliponário com as abelhas sem ferrão que capturava.
Meliponário é um local destinado a criação de melíponias (abelhas sem ferrão). Para essa atividade é emitida autorização de uso e manejo, de acordo com a resolução vigente no estado. A legislação autoriza ainda a criação e até a comercialização de produtos e subprodutos, como mel, propolis, cera pólen e até mesmo as colméias em caixas racionais de manejo, desde que seja regularizado e não de forma predatória.
Atualmente, o meliponário de Reginaldo em São José conta com cerca de 70 colmeias de abelhas sem ferrão, sendo que algumas das espécies como a Manduri, Uruçu Amarela e Mandaçaia, devido ao uso excessivo de agrotóxicos, queimadas e desmatamento fazem parte da lista de extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO).
O extermínio das espécies é ameaçador, pois “falar de melíponias é falar de preservação e equilíbrio ecológico. Elas fazem parte do nosso território nacional, se adaptam rapidamente e fazem um papel importante, que é o de polinizar, tendo um reflexo enorme para agricultura e para outros setores”, explica o técnico em agropecuária, Juliana Sousa.

Produtos que fazem parte do cotidiano como abacate, ameixa e goiaba são frutos do trabalho que as abelhas sem ferrão fazem. O processo de polinização, que é a transferência de grãos de pólen de uma flor para o aparelho reprodutor de outra, é feito por esses insetos.
Um exemplo na cadeia produtiva de alimentos em que a abelha sem ferrão Jataí, também presente no meliponário de Reginaldo faz um trabalho perfeito são os morangos. “Os grandes produtores de morango que procuram aumento de produção orgânica fazem isso associados as abelhas Jataí”, conta o técnico em agropecuária. Além disso, a melípona garante ainda melhor sabor e aumento no tamanho dos frutos.
E é focado na preservação desse pequeno e inofensivo inseto que Reginaldo vive. Ele se dedica exclusivamente ao trabalho de conservação das melíponias e de educação ambiental, palestrando em escolas e recebendo pessoas em seu lar para cursos, no Meliponário Escola Jardim com Abelhas em São José. “Hoje me sinto mais um cuidador de abelhas e na verdade, eu é que moro de favor com as abelhas”, brinca o meliponicultor.
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