Quão importante é se sentir bem acolhido no ambiente de trabalho? Não ser discriminado, ter acesso a boas qualificações, não ouvir comentários preconcentuosos, ter liberdade para ser quem você é.
Para muitos isso é o comum no cotidiano. Mas, para as pessoas que pertencem à comunidade LGBTQIAPN+, o normal muitas vezes é o contrário.
A fim de dimininuir esses impactos, empresas da região têm realizado ações a fim de acolher e incluir essas pessoas, não somente para cumprir exigências institucionais ou para fazer marketing em datas pontuais, como hoje, 28 de junho, dia em que é celebrado o Orgulho LGBTQIAPN+.
De pouco em pouco, atividades relacionadas à temática estão sendo incluídas no cotidiano das corporações e isso já vem dando resultado.
Para Rodrigo Martins, funcionário da Bayer em São José dos Campos e que se identifica como Queer (termo utilizado para representar pessoas que não se identificam com padrões impostos pela sociedade e transitam entre os gêneros), diz que sua experiência profissional na empresa é impactada de forma positiva no desempenho e criatividade.
“Desde meu primeiro dia como funcionário me senti confortável e seguro para ser eu mesmo, sem precisar utilizar máscaras. Poder falar sobre minha sexualidade, relacionamento, angústias e louros faz com que eu me sinta vivo e parte integrante desta grande comunidade que é a Bayer”, conta.
Rodrigo Martins na fábrica onde trabalha em São José (Foto: Divulgação)
Ações afirmativas para a comunidade
Na fábrica onde Rodrigo trabalha, foi implementada uma faixa de pedestre com cores as da bandeira LGBTQIAPN+. A ação tem como ideia reforçar, de maneira visual, o apoio à comunidade que atua na planta.
Há cinco anos a empresa desenvolve um trabalho de diversidade e inclusão nas suas instalações. Ao longo do ano, outras ações como rodas de conversa e apresentações estão planejadas para engajar os funcionários da comunidade.
Conforme explica Fábio Assis, Líder de DE&I (Diversidade, Equidade e Inclusão) na Bayer em São José, a implementação dos grupos de representatividade foi realizada pois a empresa possui “pensamentos diferentes, experiências diversas”.
Segundo ele, isso ajuda a empresa ser cada vez mais moderna e conectada com o que o mundo atual pede e isso impacta diretamente nos aspectos de inovação e mentalidade para desafiar o status quo.
Dentro do DE&I existe um pilar chamado Blend. É por meio dele que as ações para garantir que a comunidade LGBTQIAPN+ seja acolhida são feitas.
O grupo é estruturado de maneira global e suas ações são aplicadas de forma ampla para todas as unidades no mundo.
Algumas delas já possuem discussões mais avançadas, inclusive com casos de pessoas que passaram pelo processo de transição de gênero e receberam suporte da empresa.
Outras ainda estão na fase de implementação, como em São José. De acordo com Marina Faustino, Líder do Blend na cidade, a consciência de inclusão tem se tornado mais ampla, mas ainda há um grande caminho a ser percorrido.
De GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) à LGBTQIAPN+, conforme o tempo passa, mais o acrônimo vai se adaptando aos avanços na inclusão de pessoas de toda a comunidade. Assim como a aprender sobre a diversidade de gêneros, identidades e orientações sexuais é importante, entenda o que significa cada uma dessas letras, que ainda são desconhecidas para muita gente.
L — Lésbicas: mulheres que sentem atração sexual e/ou afetiva por outras mulheres;
G —Gays: homens que sentem atração sexual e/ou afetiva por outros homens;
B — Bissexuais: aqueles que sentem atração sexual e/ou afetiva por mais de um gênero;
T — Transgêneros: pessoas que não se identificam com seu gênero biológico e assumem uma identidade diferente de seu nascimento. Nesse grupo estão ainda as travestis, que não se reconhecem no gênero masculino, mas em uma expressão de gênero feminina;
Q — Queer: identidades e expressões de gênero e sexualidade que não se encaixam nas normas da heteronormatividade (de heterossexualidade ou binarismo de gênero), como drag queens;
I — Intersexo: pessoas nascidas com características biológicas (genitais, hormônios, etc.) que não se enquadram nas definições típicas de sexo masculino ou feminino;
A — Assexuais, agênero ou arromânticos: indivíduos que não sentem atração sexual por outras pessoas;
P — Pansexuais e polissexuais: pessoas que sentem atração sexual e/ou afetiva por outras pessoas, independentemente do gênero ou identidade de gênero;
N — Não-binários: pessoas que não se identificam com nenhum gênero, ou que se identificam com vários gêneros;
+ — O “+” representa as demais identidades, orientações sexuais e gêneros fluidos não mencionadas na sigla.
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