O protesto com faixa virada de ponta cabeça da Mancha Azul, principal e maior torcida organizada do São José Esporte Clube, continuará nos jogos do time mesmo após a conquista do acesso à Série A2 do Campeonato Paulista no último sábado (29).
A organizada divulgou uma extensa nota em suas redes sociais nesta terça-feira (2) depois que os jogadores a desviraram durante comemoração da vitória sobre o Grêmio Prudente na semifinal.
No texto, a Mancha afirma que a faixa só vai retornar à posição original quando a Águia do Vale voltar à elite do futebol estadual.

A história por trás da faixa atraiu a atenção de muitos torcedores joseenses novatos e também de espectadores por todo o país. O caso foi destacado até mesmo durante a transmissão oficial do jogo pela Federação Paulista (FPF).
Após o triunfo de 1 a 0 sobre o Carcará, os jogadores foram até a Mancha nas arquibancadas e desviraram a faixa para comemorar a chegada à segunda divisão e também a vaga na final da Série A3. A atitude foi muito celebrada pela torcida presente no estádio, que entoava o tradicional canto “Águia êô” na hora.
“Foi num momento de emoção dos jogadores. Não foi nada combinado. Mas pela dedicação e comprometimento do elenco, decidimos deixá-lo- los aproveitar o momento. Sinal que eles estudaram nossa história e a faixa motivou eles a conseguir o acesso”, disse Emerson Guedes, metalúrgico e atual presidente da Mancha Azul.
Veja o momento
Acontece que essa é a primeira vez que a faixa é desvirada em mais de 14 anos. Ela faz parte de um protesto que a organizada iniciou entre 2008 e 2009 para demonstrar posicionamento contrário à diretoria da época e reclamar da sequência de resultados ruins do clube.
A promessa, entretanto, era de que ela apenas voltaria à posição original quando o São José retornasse à elite do Paulistão.
“O objetivo da faixa virada é claro: incomodar dirigentes até o São José voltar para o lugar que merece, a Série A1!”, destacou Emerson.
Em meio a esse dilema, a nota da Mancha Azul busca esclarecer toda a história da faixa e garantir que, apesar da comoção na celebração do acesso à A2, o protesto será mantido por conta do time “ainda não estar no seu devido lugar”.
A organizada fez críticas à gestão inicial da SAF no São José, que desde o final de 2022 é administrado pelo grupo Oscar Calçados, e classificou o acesso conquistado sábado como “nada além da obrigação”.
“Entendemos que a atual diretoria não fez mais do que sua obrigação em subir o time para a Série A2. Temos total ciência também, que o o grande responsável pela recuperação do São José no campeonato foi o Robertinho da Padaria. Se não fosse ele, diante do péssimo começo da SAF, que estava totalmente perdida e que foi obrigada a recorrer ajuda ao vereador, não estaríamos celebrando este acesso, e sim lamentando uma péssima temporada com alto risco de rebaixamento”, diz trecho do comunicado.
O texto ainda lembra que a decisão sobre a faixa voltar à posição original não é arbitrária. A cada dois anos, quando são realizadas eleições internas na torcida, os sócios decidem se a faixa deve ser desvirada ou não. A torcida atualmente conta com 250 sócios em dia e mais de 6 mil membros.
A próxima eleição acontece em novembro deste ano, e ao menos até lá, o protesto segue.
Confira o comunicado na íntegra
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A história da faixa
Na época em que o protesto começou, o São José já estava há 10 anos longe da primeira divisão do Paulistão e mais ainda da elite do Campeonato Brasileiro, a qual o time participou pela primeira e única vez em 1990 e foi rebaixado.
A Mancha Azul declarou que a faixa apenas seria desvirada quando a Águia retornasse ao seu lugar, a primeira divisão do Campeonato Paulista.
Desde então, a expectativa não foi cumprida, o clube acumulou resultados longe do esperado pela torcida e a faixa continua virada durante os jogos.
De 2009 para cá, a Águia do Vale apenas teve passagens pelas divisões inferiores do Paulistão, entre as Séries A2, A3 e a Segunda Divisão (equivalente ao quarto escalão do estado).
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