Todos os casos de ameaças de ataque em escolas registrados e apurados pela Polícia Civil de São José dos Campos até o momento, na verdade, se tratavam de trotes.
A informação foi confirmada pela delegada Tatiana Braun de Mattos Anjo, titular da Diju (Delegacia de Polícia da Infância e Juventude), à Prefeitura.

De acordo com a agente, os trotes foram promovidos por adolescentes de escolas públicas e particulares que utilizavam principalmente as redes sociais para divulgar as ameaças.
O monitoramento das redes sociais tem sido contínuo por parte dos investigadores, que identificam os casos e rastreiam os autores dos perfis para que sejam tomadas as medidas legais.
“É importante dizer aos pais, professores e diretores de escolas que todas as denúncias são apuradas pelos investigadores. E todas as situações esclarecidas até o momento foram descartadas, pois se tratavam de trotes, brincadeiras de mau gosto. Porém, os casos são levados a sério pela polícia e diligências são realizadas para averiguação. Em um desses casos, o adolescente disse que fez um perfil porque não queria ter aula”, revelou a delegada.
O caso do aluno que criou um perfil falso para compartilhar as ameaças foi destacado pelo prefeito Anderson Farias nas redes sociais. Ele publicou no Instagram um vídeo da Polícia Civil que mostra um agente questionando o estudante sobre a atitude.
Veja o vídeo:
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Nas imagens, o policial pergunta ao jovem como teria sido criada a conta, os motivos pra isso e se ele se arrepende da ação.
O aluno responde que todo o processo foi feito pelo próprio celular e que fez o trote para “não ter aula”. Ele ainda diz que não tinha a real intenção de fazer um massacre e que também não possuía nenhum tipo de arma.
Em seguida no vídeo, um outro policial civil aparece explicando sobre a chamada “Operação Krampus”, focada em investigar os recentes casos de ameaças de ataques violentos nas escolas de São José.
Ele fala sobre os recentes casos e, assim como Tatiana, ressalta que todos os casos apurados na cidade, sejam os anunciados nas redes sociais ou por meio de pichação nas unidades de ensino, realmente se tratavam de ameaças falsas.
Atentados em 2023
A discussão sobre os atentados em escolas voltou à tona no Brasil em março deste ano, depois que um adolescente de 13 anos esfaqueou 4 professores e 2 alunos em uma escola na zona sul de São Paulo. A professora Elisabeth Tenreiro, de 71 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu.
Outro caso aconteceu no dia 5 de abril, na cidade de Blumenau (SC). Na ocasião, um homem de 25 anos invadiu uma creche e provocou a morte de ao menos 4 crianças.
Em São José dos Campos, boatos de ataques em escolas assustaram pais e alunos nas últimas semanas. Segundo informações, planos de um massacre circulam por meio de bilhetes e mensagens em porta de banheiros.
Os principais rumores aconteceram em duas escolas do bairro Monte Castelo: a estadual Professor Estevam Ferri e a escola Marechal Rondon.
Reforço na segurança
A Prefeitura de São José anunciou nesta semana que as escolas públicas municipais e estaduais no município estão recebendo um reforço na segurança por conta dessa onda de ameaças que se espalhou pelo país.
O policiamento das escolas está sendo realizado por meio do convênio com a Prefeitura para a Atividade Delegada e também pelo Programa de Ronda Escolar da PM.
Nas escolas estaduais por toda a cidade, há o patrulhamento preventivo com as viaturas da PM.
Já nas escolas da Prefeitura, o trabalho é realizado por dos vigilantes de empresas particulares terceirizadas. Além disso, há também um guarda municipal designado para atender as unidades durante todo o período de aulas.
A Prefeitura ainda destaca que a segurança conta ainda com ajuda do sistema de câmeras internas, de botão de pânico interligado ao sistema da GCM e monitoramento das câmeras inteligentes do CSI (Centro de Segurança e Inteligência) nas ruas próximas às escolas.
Atuação conjunta
As ações de prevenção e controle de segurança no ambiente escolar contemplam as medidas anunciadas na última quarta-feira (12) por representantes da Justiça, da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Guarda Civil Municipal e de autoridades da cidade, com o objetivo de tranquilizar pais, responsáveis, profissionais da Educação e familiares e para atuarem em conjunto na prevenção, combate às fake news e reforço aos protocolos de segurança.
O juiz da Vara da Infância e Juventude de São José dos Campos, Marco César Vasconcelos e Souza, destacou que todos os poderes e autoridades locais estão unidos e empenhados para evitar, prevenir, enfrentar, apurar e punir os responsáveis por quaisquer atentados à lei e à ordem, restabelecendo a paz.
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