Com a recente onda de ataques que acomete as escolas do Brasil, os veículos do Grupo Globo mudaram sua política ao noticiar massacres como o ocorrido em Blumenau (SC) nesta quarta-feira (5). A partir de agora, o nome e a imagem de autores de ataques jamais serão publicados, assim como vídeos das ações, em nenhum portal ou noticiário da emissora.
A decisão segue as recomendações mais recentes de prestigiados especialistas no tema, para quem dar visibilidade a agressores pode servir como um estímulo a novos ataques, mais conhecido como “efeito contágio”.

Pesquisas mostram que esses incidentes geralmente ocorrem em aglomerados e tendem a ser contagiosos. E a cobertura intensiva da mídia parece impulsionar o contágio, dizem especialistas em psicologia. Esse fenômeno tem sido estudado em diferentes universidades nos Estados Unidos, que somente em 2023 já registrou 96 ocorrências com armas em escolas, segundo o projeto K-12 School Shooting Database.
Apesar disso, em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que o ataque em Blumenau foi um “caso isolado” e que não há indícios de que o ato foi coordenado por outros indivíduos por meio de redes sociais, jogos ou outras plataformas virtuais.
De acordo com pesquisadores, existe um perfil traçado de quem comete atos de extremismo e massacres em escolas, não só no Brasil como no mundo: jovens brancos, do sexo masculino, de 10 a 25 anos, cultuam armas, seguem ideais extremistas, racistas e misóginos e apresentam indícios de transtornos mentais, que não foram diagnosticados ou tratados.
Há, ainda, outras duas características dos jovens que cometem este tipo de ato. São vítimas de bullying e aprendem na internet os métodos para planejar os ataques. Muitos falam também sobre os jogos online, mas o real vilão está muito além.
Grupos extremistas na deepweb, fórums que incitam violência e que até compartilham ideias neonazistas acolhem jovens com esse perfil, que se planejam para cometer atos os violentos em massa.
O primeiro grande atentado a uma escola que foi muito explorado pela mídia foi o famoso Massacre de Columbine, quando, em 1999, dois jovens foram responsáveis pela morte de 12 pessoas, feriram mais de 20 e tiraram a própria vida.
A dupla serviu de inspiração para muitos outros ataques posteriores, quando seus rostos e nomes foram divulgados incessantemente pela mídia e viraram celebridades na deepweb, sendo o maior exemplo do “efeito contágio”
Antes do caso de Blumenau, sem incluir um ataque a faca em escola no Rio de Janeiro, 11 desses casos haviam sido registrados somente em 2022 e 2023. Com os dois casos mais recentes, portanto, os últimos dois anos já superam em número de ataques os 20 anos anteriores.