As atividade acadêmicas da Academia Joseense de Letras (AJL) começaram na última quinta-feira (2). O evento de abertura aconteceu na Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, na região central de São José dos Campos.
A instituição homenageou as mulheres em condição de patrono na AJL: Cora Coralina, Clarice Lispector, Francisca Júlia, Hilda Hilst, Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico e Ruth Rocha.
Na abertura e encerramento da reunião, foram declamados poemas de Clarisse Lispector pelo presidente da instituição, Fabrício Correia, escritor, jornalista e professor universitário.

Homenagem à Amara Moira
Em homenagem ao mês da mulher, os acadêmicos da Academia Joseense de Letras aprovaram Amara Moira como Acadêmica Honorária.
Amara Moira é travesti, feminista, doutora em teoria, crítica literária pela Unicamp (com tese sobre o “Ulysses” de James Joyce) e militante dos direitos de pessoas LGBTQIA+ e de trabalhadoras sexuais.
É integrante da Associação Mulheres Guerreiras, o Grupo Identidade e o Coletivo TransTornar, todos de Campinas, sua cidade natal, e o Coletivo A Revolta da Lâmpada, de São Paulo.
Tem publicado artigos sobre gênero e literatura, sendo autora do livro autobiográfico “E se eu fosse p*” (2016, republicado em 2018 como: “E se eu fosse puRa”), do capítulo também autobiográfico “Destino Amargo”, presente em “Vidas Trans – A coragem de existir” (2017), e do monólogo escrito em pajubá, a língua das travestis, “Neca”, incluído na antologia “A Resistência dos Vagalumes” (2019).
Sua produção textual figura na bibliografia de cursos de pós e de graduação em universidades do país todo e do exterior. Atualmente reside no município de São Paulo, é colunista da Mídia Ninja e professora de literatura no cursinho online pré-vestibular Descomplica.
Segundo o presidente da academia, Fabrício Correia, a homenagem para Amara Moira no mês em homenagem a mulher é de grande significado na luta pelos direitos humanos. “Nossa academia a recebe de braços abertos”, disse.
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Chat GPT
Ainda durante o encontro, os acadêmicos interagiram com o ChatGPT na construção de haicais, um gênero de poesia de forma fixa.
O ChatGPT (Generative Pre-trained Transformer) é um protótipo de um chatbot com inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI e especializado em diálogo.
Para Val Saab, acadêmica eleita, a possibilidade de interação com inteligência artificial na literatura precisa de cautela e cuidado no uso excessivo.
“Vejo com cautela o futuro das produções literárias. Precisamos ter muito cuidado com uso excessivo do ChatGPT. A literatura parte da imaginação do escritor e não pode ser deixada de lado.”, disse.
Academia Joseense de Letras
Fundada em 1980, a instituição possui 30 cadeiras ocupadas por intelectuais, escritores, professores e profissionais reconhecidos da área.
A próxima reunião da Academia Joseense de Letras está prevista para o dia 6 de abril, às 18h30, na Biblioteca Pública Cassiano Ricardo.
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