Na última sexta-feira (24), Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, esteve presente nos estúdios da SP RIO+ para esclarecer sobre a questão das fortes chuvas que atingiram o Litoral Norte, em especial a cidade de São Sebastião.
Em meio a essa “ressaca” e após uma semana da tragédia, levantou-se a questão do uso de sirenes para prevenir catástrofes.

O especialista esclareceu que esses equipamentos são fundamentais , essenciais para salvar vidas e evitar maiores tragédias.
Até o momento, foram confirmados 57 óbitos (57 em São Sebastião e um em Ubatuba), 2.251 pessoas estão desalojadas e 1.815 desabrigadas.
Esta realidade é resultado dos mais de 600 mm de água acumulados na região, que provocou diversos alagamentos e deslizamentos.
“A maior parte das mortes são de pessoas que estão dentro de residências que caem e são demolidas pela enxurrada, pelo deslizamento de encostas, pela entrada da água, então sirenes são muito importantes (….). Nós temos que, a partir de agora, encontrar uma maneira de comunicar”.
O uso de sirenes em São Sebastião ainda não é uma realidade. Apesar disso, na última quinta-feira (23), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) informou sobre a instalação dos equipamentos no estado.
Leia: Tarcísio de Freitas anuncia instalação de sirenes em áreas de risco
Por mais que essa mudança esteja dentro de um pacote de medidas, Carlos Nobre ressaltou a importância de uma mudança no convívio social e da necessidade de ações educativas para esta nova realidade.
“… sirene salva a maior parte das pessoas (…). Tem que ter toda uma capacitação, as prefeituras têm que estabelecer locais seguros e toda população precisa ser treinada. É muito importante não só instalar sirene mas criar um sistema educacional (…), é um grande investimento que tem ser feito em todo Brasil”.
Veja trecho da entrevista ao podcast Talk+ :
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Questão climática
Além das sirenes, Carlos Nobre também abordou a questão climática sobre a tragédia do Litoral Norte.
De acordo com o especialista, as fortes chuvas já estavam previstas e os sistemas de previsão meteorológicos anunciaram com dias de antecedência sobre os riscos.
Segundo ele, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) já havia informado toda a Defesa Civil do Estado de São Paulo e os números já indicavam uma situação com um grande volume de chuvas.
“Olha, 200 mm de chuva gera desastre em qualquer lugar do mundo. Qualquer coisa acima de 100 mm, o Cemaden já lança inúmeros destastres de altíssimo risco. (…) O Cemaden foi anunciando desde sexta-feira de manhã sobre o grande risco”.
Carlos Nobre acrescentou ainda que mais de 90% dos fenômenos no país são previsíveis, o que ajudaria, de certa forma, a prevenir uma possível catástrofe.
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