Depois de pouco mais de 20 anos presa por ter sido condenada pelo assassinato dos pais, Suzane von Richthofen (39) foi solta no fim da tarde desta quarta-feira (11) e agora vai cumprir o restante de sua pena em liberdade.
Suzane foi liberada da penitenciária feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé, após ter sido beneficiada pela Justiça com a progressão ao regime aberto.
Nesse sistema, o condenado cumpre pena fora da prisão e pode trabalhar durante o dia, mas deve retornar à noite e se recolher uma casa de hospedagem prisional coletiva, que abriga presos que se enquadram no mesmo regime.

Desde 2017, Suzane tentava na Justiça a progressão para o regime aberto, que só é concedido quando os detentos se enquadram em requisitos específicos como bom comportamento e o tempo já cumprido da pena.
Para a obter a liberdade condicional, Suzane ainda teve que passar por um teste criminológico, que avaliou positivamente o seu perfil e a sua capacidade de ser reinserida na sociedade.
No entanto, o Ministério Público informou que vai recorrer da decisão que determinou a soltura da condenada e fez ainda um novo pedido à Justiça, solicitando um outro exame, o teste de Rorschach, um exame psicológico mais detalhado que consegue identificar traços da personalidade da pessoa.
Para não perder o regime aberto, Richthofen deve seguir algumas regras básicas, como:
– Permanecer no endereço que for designado durante o repouso e nos dias de folga;
– Cumprir os horários combinados para ir e voltar do trabalho;
– Não pode se ausentar da cidade onde reside sem autorização judicial;
– Quando determinado, deve comparecer em juízo, para informar e justificar suas atividades.
Além disso, mesmo seguindo essas condições iniciais, de acordo com cada caso o juiz pode estabelecer também outras determinações especiais.
A progressão da pena de Suzane
Presa desde 2002 e condenada em 2006 a 39 anos e seis meses de prisão, Suzane conseguiu na Justiça diminuir seu tempo na cadeia. Atualmente, sua pena foi revisada para 34 anos e quatro meses de prisão e tem término previsto para o dia 25 de fevereiro de 2038.
Em outubro de 2015 ela conquistou a progressão para o regime semiaberto e desde então passou a ter permissão para deixar o presídio nas ‘saidinhas’ temporárias em datas especiais, como Dia dos Pais e Natal.
A primeira vez que Suzane saiu da cadeia em Tremembé foi no ano de 2016, durante a saída temporária de Páscoa.
Em outubro do ano passado, ela inclusive participou de um congresso de ciências na Unitau (Universidade de Taubaté). Na universidade, Suzane apresentou um trabalho sobre maternidade através de seu curso de biomedicina, realizado na faculdade Anhanguera.
Após ter todos os pedidos pelo regime aberto desde 2017 negados pelo judiciário, Richthofen enfim teve a liberdade concedida neste ano.
Relembre o caso Von Richthofen
Suzane von Richthofen participou do assassinato dos pais, Manfred e Marísia Von Richthofen, em 31 de outubro de 2002, tendo sido condenada a 39 anos e seis meses de prisão.
Ela, seu então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian Cravinhos, confessaram o homicídio.
Os três planejaram o crime, executado na casa da família, na zona sul de São Paulo. Na época, Suzane havia dito às autoridades que os pais não aprovavam o namoro e faziam pressão para que ela rompesse o relacionamento.
Também de acordo com o depoimento, os pais teriam passado a desaprovar a relação após terem descoberto que os jovens usaram drogas.