A Netflix divulgou nesta segunda-feira (9) o trailer da sua nova minissérie original ‘Todo dia a Mesma Noite’, que retrata o incêndio na boate Kiss em 2013, na cidade de Santa Maria (RS), e que deixou 242 mortos.
Inspirada no livro homônimo da jornalista e escritora Daniela Arbex, a produção de cinco episódios chega ao catálogo do serviço de streaming no dia 25 de janeiro, dois dias antes do caso completar 10 anos.

Na série, dirigida por Julia Rezende e em que Daniela atua como consultora criativa, são revelados os bastidores do incêndio na boate e a luta das famílias das vítimas por justiça, que segue até hoje.
Debora Lamm (Amor de Mãe), Paulo Gorgulho (Pantanal, Segunda Chamada) e Thelmo Fernandes (Rock Story, Coisa Mais Linda) são alguns dos atores confirmados e que interpretarão personagens de pais que perderam seus filhos naquela noite.
O elenco também conta com Bel Kowarick, Bianca Byington, Erom Cordeiro, Flavio Bauraqui, Leonardo Medeiros, Laila Zaid, Nicolas Vargas, Paola Antonini, Raquel Karro, entre outros.
O livro ‘Todo dia a mesma noite’
No livro ‘Todo dia a Mesma Noite”, Daniela Arbex recorre ao ponto de vista dos principais protagonistas do episódio para recontar a história das 242 vítimas fatais do incêndio na boate.
São trazidos relatos de sobreviventes, testemunhas, familiares das vítimas e profissionais da saúde que atuaram no resgate e atendimento naquela madrugada de 27 de janeiro de 2013 e nos duros dias que seguiram em Santa Maria.
Sensível, porém dolorida, a obra detalha a tragédia e o impacto do incêndio no cotidiano da cidade gaúcha de quase 300 mil habitantes de forma bastante íntima.
Além disso, a autora também mostra as batalhas judiciais travadas por parentes das vítimas contra o descaso e a irresponsabilidade de autoridades e dos principais culpados pelo incêndio, como os proprietários da boate e integrantes da banda causadora do fogo no local.
O caso do incêndio na boate Kiss
Em 27 de janeiro de 2013 a Boate Kiss sediou a festa universitária denominada “Agromerados”. No palco, se apresentava a Banda Gurizada Fandangueira, quando um dos integrantes acendeu um sinalizador e atingindo parte do teto do prédio, que pegou fogo.
O guitarrista da banda, Rodrigo Lemos, afirmou desde o início que os colegas de banda logo tentaram apagar o incêndio, mas que o extintor não teria funcionado.
O incêndio, que se alastrou rapidamente, causou a morte de 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos. As responsabilidades são apuradas em seis processos judiciais ao todo.
No processo criminal, os empresários e sócios da Boate Kiss, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, o vocalista da Banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor musical Luciano Bonilha Leão, respondem por homicídio simples (242 vezes consumado, pelo número de mortos; e 636 vezes tentado, número de feridos).
Foi concedido o desaforamento (transferência de julgamento para outra comarca) a três réus – Elissandro, Mauro e Marcelo – para serem julgados em uma Vara do Júri da Comarca de Porto Alegre.
Luciano foi o único que não manifestou interesse na troca, mas, através de um Pedido de Desaforamento do Ministério Público, o TJRS determinou que ele se juntasse aos outros, em um julgamento único, na Capital.
Passando a tramitar em Porto Alegre, o processo ganhou o número 001/2.20.0047171-0. O júri do caso Kiss teve início apenas no dia 1° de outubro de 2021, mais de oito anos após o incêndio.
No dia 10 de outubro, os quatro réus foram condenados pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri às seguintes penas:
– Elissandro Callegaro Spohr: 22 anos e 6 meses
– Mauro Londero Hoffmann: 19 anos e 6 meses
– Marcelo de Jesus dos Santos: 18 anos
– Luciano Bonilha Leão: 18 anos
No entanto, após apelações, a 1ª Câmara Criminal do TJRS anulou o júri e revogou a prisão dos quatro acusados em 3 de agosto de 2022. A decisão cabe recurso