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    Consideradas extintas há 20 anos, ararinhas-azuis devem ser enviadas ao Brasil em 2023

    25 de dezembro de 2022Nenhum comentário3 Minutos de Leitura
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    Uma leva de 30 a 50 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) será trazida da Alemanha para o Brasil em 2023.

    A ação faz parte do projeto de reintrodução da espécie na caatinga brasileira, duas décadas depois de ser considerada extinta na natureza.

    ararinha-azul
    Ararinha-azul no criadouro da ACTP (Foto: Reprodução/Internet)

    Segundo Camile Lugarini, coordenadora executiva do Plano de Ação Nacional (PAN) da Ararinha-Azul, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a ideia é que os animais cheguem ao Brasil já no início do ano, no mês de janeiro.

    O primeiro grupo de ararinhas-azuis vindos da Alemanha chegou na cidade de Curaçá, na Bahia, em 2020. Na época foram enviadas 52 aves de um criadouro alemão.

    Foi justamente no município baiano que o governo brasileiro criou unidades de conservação ambiental para garantir a proteção e o habitat desses animais na natureza.

    Em Curaçá também foi construído um enorme recinto de adaptação para que as ararinhas reaprendam a viver soltas.

    As primeiras oito aves foram reintroduzidas na natureza em junho deste ano. No último dia 10, foram soltas mais 12.

    A ideia é libertar 20 aves por ano nas próximas duas décadas.

    A sede do projeto em Curaçá atualmente tem cerca de 30 ararinhas mantidas no cativeiro, como reservas para a reintrodução e como reprodutoras.

    Três filhotes já nasceram dentro do viveiro baiano e devem ser soltos na natureza, assim como devem ser libertados filhotes nascidos em um criadouro de Minas Gerais, a Fazenda Cachoeira.

    No entanto, a principal fonte de animais para reintrodução continua sendo o criadouro alemão ACTP.

    Para a chegada dessa nova leva vinda da Europa, os pesquisadores aguardam a liberação da vigilância agropecuária do Brasil devido a um surto de gripe aviária que atinge o continente europeu.

    As ararinhas-azuis na natureza

    Em 2019, a espécie foi oficialmente considerada extinta da natureza pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

    O anúncio foi feito quase 20 anos depois de o último macho nascido na natureza ter desaparecido dos céus da caatinga.

    Segundo a organização, a ararinha-azul desapareceu de seu hábitat original por causa de alterações na paisagem e do tráfico de animais silvestres.

    O trabalho para a reintrodução começou anos atrás, com a reprodução em cativeiro, na Alemanha, de exemplares comprados de colecionadores.

    A principal ameaça à sobrevivência das ararinhas na natureza são seus predadores.

    Das 20 ararinhas-azuis soltas em Curaçá, três foram mortas por aves de rapina.

    Além disso, há ainda o risco de dispersão para áreas onde os pesquisadores não conseguirão monitorá-las e da ameaça de sua captura por traficantes.

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